No décimo quarto dia de greve a adesão de bancárias e bancários ao movimento continua aumentando. Nesta quarta-feira, 2, cerca de 63% das agências, departamentos e centros administrativos da base de BH e Região paralisaram suas atividades. A greve se fortalece em Minas Gerais e em todo o Brasil para pressionar os banqueiros e as direções dos bancos públicos federais a apresentarem uma proposta que atendam as justas reivindicações dos bancários.

 

 

 

Nesta quarta-feira, 2 de outubro, os bancários se concentraram, a partir das 11h30, em frente a Superintendência Regional BH Sul da CAIXA, na avenida do Contorno, 5809, esquina com rua Grão Mogol, no bairro Sion, onde foi instalada a Porta do Inferno para denunciar a condição infernal vivida pelos empregados. No mesmo local, às 13h, foi realizada assembleia que decidiu pela continuidade da greve.

 

O Sindicato denunciou que na CAIXA, onde a greve é cada vez mais forte em todas as agências, departamentos e centros administrativos da base de BH e Região, as SR BH SUL e BH Norte estão fazendo contingenciamento, tirando os funcionários das agências que ainda não aderiram à greve e mandando para a GIRET, onde é feita a conformidade do trabalho realizado pelos correspondentes bancários.

 

Para o presidente do Sindicato e empregado da CAIXA, Cardoso, está claro que essa atitude da CAIXA tem o claro objetivo de enfraquecer o movimento, explorando trabalhadores terceirizados que são os correspondentes bancários. “É um absurdo que um banco público que deveria exercer a sua função social atendendo dignamente o trabalhador, use o trabalho de terceirizados, que apesar de exercerem as mesmas funções do trabalhador bancário, ganham muito menos e não possuem nenhum direito. O Sindicato é contra a terceirização e continuará denunciando essa exploração do trabalhador feita pela direção da CAIXA”, afirmou.

 

Cardoso lembrou que, de acordo com um estudo feito em 2011 pela CUT e pelo Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese), o trabalhador terceirizado fica 2,6 anos a menos no emprego, tem uma jornada de três horas a mais semanalmente e ganha 27% a menos. Além disso, a cada 10 acidentes de trabalho, oito acontecem entre terceirizados.

 

“Essa exploração feita pela CAIXA tem que acabar. Ao invés de o banco dar um atendimento digno para o trabalhador que precisa utilizar os seus serviços para obter os recursos do FGTS, PIS, Bolsa Família e de outros programas do governo federal, ele é expulso das agências. É inaceitável que esses clientes sejam impedidos de entrar nas agências e empurrados para as casas lotéricas que não têm segurança e que, com as suas filas enormes, muitas vezes deixam os seus usuários a mercê do sol e da chuva, pois não oferecem mínima condição de atendimento. Em vez de usar correspondentes bancários, a CAIXA tem é que contratar mais empregados para atender melhor e de maneira digna o povo brasileiro”, criticou Cardoso.

 

Nesta quinta-feira, 3 de outubro, os bancários se concentrarão, a partir das 11h30, em frente a agência do HSBC, na rua Alagoas, 1.029, esquina com avenida Cristóvão Colombo, na Savassi. No mesmo local, às 13h, será realizada assembleia para discutir os rumos do movimento.

O número de agências, departamentos e centros administrativos de bancos públicos e privados com as atividades paralisadas em todo o Brasil continua crescendo a cada dia. Segundo dados da Contraf-CUT, no dia 19 de setembro, o primeiro dia de greve, foram 6.145 dependências paralisadas em todos os estados e no Distrito Federal. Este número cresceu e chegou a 11.016 nesta terça-feira, dia 1º.

 

A greve por tempo indeterminado foi deflagrada no último dia 19, após aprovação em assembleia realizada no dia 12 de setembro na sede do Sindicato. A proposta apresentada pela Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) no dia 5 de setembro, de 6,1% de reajuste sobre todas as verbas salariais, sem aumento real, foi rejeitada pelo Comando ainda na mesa de negociação.

 

Dentre as reivindicações, os bancários pedem reajuste salarial de 11,93% (inflação mais 5% de aumento real), PLR de 3 salários mais R$ 5.553,15 fixos, piso de acordo com o salário mínimo do Dieese (R$ 2.860,21), auxílios alimentação, refeição, 13ª cesta e auxílio creche/babá de R$ 678 (salário mínimo nacional) cada um, fim das metas abusivas e do assédio moral, mais contratações e fim das demissões, mais segurança, Plano de Cargos, Carreiras e Salários (PCCS) para todos os bancários, auxílio-educação para graduação e pós-graduação e igualdade de oportunidades, com a contratação de pelo menos 20% de negros e negras.

 

O presidente do Sindicato, Cardoso, mais uma vez reafirmou a importância da participação das bancárias e bancários neste importante momento da greve. “Os banqueiros estão tentando desgastar a nossa greve e enfraquecer o nosso movimento. Daí a importância dos bancários irem para a rua e comparecerem nas manifestações e assembleias convocadas pelo Sindicato e mostrarmos a nossa disposição de luta para defender as nossas justas reivindicações”, afirmou.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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