Foto: Contraf-CUT

No dia 5 de abril, o Grupo de Trabalho (GT) de saúde e condições de trabalho do Itaú se reuniu, na sede da Contraf-CUT, em São Paulo, para debater o programa de retorno e readaptação ao trabalho. A funcionária do Itaú e diretora do Sindicato, Marilene Gualberto, participou das discussões.

Desde o seu início, o GT prioriza sempre a prevenção das doenças. Por isso, uma das pautas mais importantes é a organização no local de trabalho, cujo fator de maior influência é a gestão organizacional. Partindo desse preceito, uma das primeiras conquistas dos trabalhadores por meio do GT foi a redução das metas do Agir de 12 para 11 meses, com o direito a férias de 30 dias.

No entanto, muitos funcionários ainda adoecem no banco devido a uma gestão agressiva em busca de resultados sem levar em consideração o lado psicológico e fisiológico dos trabalhadores. Um importante instrumento nessa discussão é a cláusula 57ª da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) da categoria, que trata da melhoria nas condições de trabalho e que também será pauta nas reuniões do GT.

Os trabalhadores defendem que a reabilitação Profissional cabe ao Estado e, portanto, à Previdência Social. Por isso, o que entra no debate é o Programa de Retorno ao Trabalho, presente na CCT e que é de suma importância para os funcionários que retornam ao trabalho após um afastamento por motivos de adoecimento.

Apesar de o Itaú contar com um “Programa de Readaptação”, os representantes dos funcionários destacaram que ele não contempla todos os itens necessários para um retorno ou “acolhimento” adequado para evitar um novo agravamento da situação psicológica e fisiológica dos trabalhadores.

Durante a reunião do GT, foram discutidos pontos importantes para a construção de um programa que atenda às necessidades dos funcionários. Entre eles, os bancários ressaltaram que é primordial a participação dos trabalhadores, por meio de seus representantes, na construção e acompanhamento do programa.

Também é essencial que os funcionários se sintam seguros, não podendo ser demitidos no meio do programa, principalmente por questões relacionadas à produtividade. Os representantes dos bancários destacaram que estes trabalhadores devem ficar de fora deste tipo de avaliação, já que estão com sua capacidade produtiva reduzida.

Além disso, os trabalhadores salientaram a importância de uma equipe multidisciplinar e de um ambiente adequado, para que a enfermidade do bancário não se agrave. Outro ponto fundamental levantado pelos trabalhadores é que não pode haver discriminação ou assédio moral contra estes funcionários.

Os representantes do Itaú afirmaram que o programa serve pedagogicamente para demonstrar a necessidade do tratamento diferencial aos funcionários com restrições, concordando com os bancários em relação ao combate ao assédio moral e à discriminação.

Com isso, os trabalhadores propuseram ao banco que seja realizada uma campanha de esclarecimento para todos dentro da instituição sobre essa questão.

Após os debates, ficou acertado que o movimento sindical fará uma contraproposta com relação ao programa de readaptação do banco.

Ainda na reunião, o Itaú informou os trabalhadores sobre a existência de um “Programa de Acolhimento das Mães” quando retornam de licença maternidade e precisam de atenção especial.

O banco afirmou ainda que está dando continuidade ao novo sistema para cadastramento de afastamentos e licenciamentos de funcionários pela Previdência Social. Esse sistema é fruto de denúncias do movimento sindical sobre os problemas com cadastramento do afastamento e licenciamento dos funcionários, o que muitas vezes chegou a gerar demissões indevidas e endividamentos.

 

Fonte: Sindicato dos Bancários de BH e Região com Contraf-CUT

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