Empregados demitidos em 1991 gravaram depoimentos em Belo Horizonte – Fotos: Fenae

 

Durante o último final de semana, entre os dias 4 e 6 de outubro, foram gravados, em Belo Horizonte, depoimentos para um documentário sobre as demissões de 110 empregados da CAIXA ocorridas de forma autoritária, em 1º de outubro de 1991, durante a gestão do então presidente Fernando Collor. Na capital mineira, foram demitidos 30 trabalhadores, em Londrina 30 foram exonerados e, em São Paulo, outros 50 foram para o olho da rua por perseguição política.

Os desligamentos, no entanto, desencadearam uma rede de solidariedade na categoria, que viabilizou o apoio financeiro a esses trabalhadores até sua readmissão, o que aconteceu somente após o impeachment de Fernando Collor em 1992.

Com o lema “Não toque em meu companheiro”, a Fenae e as entidades representativas dos empregados organizaram uma campanha nacional para a sustentação dos demitidos. Cada empregado doava para o fundo 0,03% do seu salário, o que correspondia a um tíquete alimentação diário. Nada menos que 35 mil empregados autorizaram o desconto.

Foi o maior gesto coletivo de solidariedade feito ao longo da história da organização dos empregados. A união de todos possibilitou que, após o impeachment de Collor e a posse de seu vice Itamar Franco, houvesse acordo para a reintegração dos 110 demitidos sem perdas de quaisquer direitos em outubro de 1992. Já em 1994, o presidente Itamar Franco aprovou, no Congresso Nacional, a Lei 8.878/1994 que anistiou todos os trabalhadores demitidos durante o Plano Collor.

Essa história de resistência, marcada pelo apoio espontâneo entre os trabalhadores e ocorrida há 28 anos, será tema de um longa-metragem dirigido pela premiada cineasta Maria Augusta Ramos. A diretora também esteve à frente do documentário “O Processo”, que narra como se deu o golpe contra a ex-presidenta Dilma Rousseff.

Para Maria Augusta Ramos, a narrativa de solidariedade sem precedentes da classe trabalhadora foi o que motivou o longa-metragem. “Esse documentário traz uma história que precisava ser contada e registrada, pois é um retrato importante de um momento da história brasileira. Ao mesmo tempo, permite uma maior compreensão do momento atual e uma reflexão sobre esse retorno de uma política que projeta o corte de direitos trabalhistas e a privatização de empresas estatais”, considerou a cineasta.

A coordenação do trabalho é da Federação Nacional das Associações do Pessoal da Caixa Econômica Federal (Fenae), presidida por Jair Pedro Ferreira. Segundo ele, esta é uma história dos trabalhadores brasileiros, em especial dos empregados da CAIXA. “É uma narrativa de solidariedade e união, muito importante de ser contada nos dias de hoje. Queremos fazer esse registro histórico para que os jovens trabalhadores de hoje conheçam o passado e possam construir um futuro melhor”, destacou.

Nova geração de empregados CAIXA também gravou depoimentos – Foto: Fenae

 

Fonte: Sindicato dos Bancários de BH e Região com Fenae

 

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