O Grupo HSBC anunciou, nesta terça-feira, 9, mudança estratégica no seu modelo de negócios no Brasil e confirmou que pretende vender sua operação no país. O banco afirmou, no entanto, que planeja manter presença no Brasil para atender aos clientes corporativos de grande porte em suas necessidades internacionais.

O anúncio foi feito em Londres pelo CEO do Grupo, Stuart Gulliver, durante apresentação da Atualização da Estratégia do HSBC para investidores. Logo, a mídia brasileira publicou informações sobre o encerramento das atividades do banco inglês no Brasil e demissões de até 50 mil pessoas em todo o mundo.

Imediatamente, representantes dos funcionários entraram em contato com o presidente do banco no Brasil, André Brandão, que desmentiu a notícia sobre as demissões. André afirmou que o processo de venda continua e os funcionários não serão mais do HSBC, e sim do novo banco controlador.

Além disso, já foi agendada uma reunião com o banco para esta quarta-feira, dia 10 de junho, às 17h30 em São Paulo. Representantes dos funcionários estarão presentes para tratar da situação com o banco e pedir mais informações.

O movimento sindical continua alerta e irá cobrar do novo controlador, assim que a informação for divulgada, esclarecimentos sobre empregos, agências bancárias e a situação dos clientes no Brasil.

A nota do HSBC Brasil divulgada aos funcionários após a repercussão na mídia informa: “É importante ressaltar que este é um processo de venda e não um processo de encerramento das nossas operações no país, como saiu esta manhã equivocadamente na imprensa”. E continua: “Vale lembrar mais uma vez que processos como esse são demorados, porque dependem de minuciosas análises dos acionistas e estão sujeitos a aprovações regulatórias e outras aprovações. Isso quer dizer que não vemos nenhum impacto imediato para nós nem para os nossos clientes”, informa a nota assinada por André Brandão. A nota da matriz realmente não fala em fechar o banco no Brasil, mas em venda (sell).

A presidenta do Sindicato, Eliana Brasil, reforçou o empenho da entidade na defesa dos funcionários. “Estamos atentos e acompanhando o processo de venda do HSBC para defender a manutenção dos empregos de funcionárias e funcionários.  Assim que a informação sobre o novo controlador for divulgada, cobraremos esclarecimentos sobre as agências bancárias e os empregos dos trabalhadores brasileiros”, afirmou.

Swissleaks

Os problemas do HSBC foram reforçados após denúncias de lavagem de dinheiro na Suíça. Na última semana, o banco fechou acordo com as autoridades suíças e vai pagar 40 milhões de francos – cerca de R$ 134 milhões – para encerrar as investigações. Em comunicado, o banco declarou que nem a instituição nem seus funcionários são suspeitos de qualquer crime.

O HSBC suíço estava sendo investigado desde fevereiro. Conhecida como Swissleaks, a investigação revelou documentos fornecidos por Hervé Falciani, ex-funcionário do HSBC em Genebra, ao jornal francês Le Monde e compartilhados com o Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos, que reúne profissionais de mais de 40 países.

 

Fonte: Sindicato dos Bancários de BH e Região com Seeb-SP

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