Foto: Jailton Garcia – Contraf-CUT

O Comando Nacional dos Bancários considera insuficientes as propostas para as reivindicações não econômicas da categoria, apresentadas pela Fenaban nesta quarta-feira, 17, em São Paulo, na sexta rodada de negociações da Campanha 2014. A presidenta do Sindicato, Eliana Brasil, representou a entidade na mesa e o diretor Wagner Nascimento também participou da negociação como coordenador da Comissão de Empresa do Banco do Brasil.

Na sexta-feira, 19 de setembro, os bancos apresentam propostas para as demandas econômicas da pauta, o que inclui índice de reajuste e PLR.

Apesar de contar com pontos positivos, as propostas ainda estão aquém das expectativas dos bancários e não contemplam importantes reivindicações relacionadas à garantia de preservação do emprego e medidas para melhorar as condições de trabalho, segurança e igualdade de oportunidades.

As propostas dos bancos

A redação das propostas será entregue nesta sexta-feira, junto com as cláusulas econômicas. Mas os conteúdos têm o seguinte teor:

> Certificação CPA 10 e CPA 20 – Quando exigido pelos bancos, os trabalhadores terão reembolso do custo da prova em caso de aprovação.

> Adiantamento de 13º salário para os afastados – Quando o bancário estiver recebendo complementação salarial, terá também direito ao adiantamento do 13º salário, a exemplo dos demais empregados.

> Reabilitação profissional – Cada banco fará a discussão sobre o programa de retorno ao trabalho com o movimento sindical.

> Monitoramento de resultados – Terá redação mais abrangente. Além do SMS, a cobrança de resultados passará a ser proibida também por qualquer outro tipo de aparelho ou plataforma digital.

> Gestantes – As bancárias demitidas que comprovarem estar grávidas no período do aviso prévio serão readmitidas automaticamente.

> Casais homoafetivos – Os bancos irão divulgar a cláusula de extensão dos direitos aos casais homoafetivos, informando que a opção deve ser feita diretamente com a área de RH de cada banco, e não mais com o gestor imediato, para evitar constrangimentos e discriminações.

> Novas tecnologias – Realização de seminários periódicos para discutir tendências de novas tecnologias.

> Segurança bancária – Realização de mais dois projetos-piloto de segurança em cidades diferentes, uma a ser escolhida pelo Comando Nacional e outra pela Fenaban, nos mesmos moldes da experiência desenvolvida em Recife, Olinda e Jaboatão dos Guararapes.

As reivindicações ignoradas pelos bancos

O Comando Nacional condenou, na mesa de negociação, a ausência de propostas para várias reivindicações discutidas com os bancos, tais como:

> Fim das metas abusivas

> Emprego – O Comando insistiu na necessidade de mais contratações, na adoção de medidas para preservar o emprego, como a proibição de demissões imotivadas (Convenção 158 da OIT), e o fim da rotatividade e das terceirizações.

> Segurança – Os bancários querem estender a todo o país as medidas de segurança testadas e aprovadas no projeto-piloto de Recife, Olinda e Jaboatão. Para o Comando, a proposta de criar novos projetos-pilotos só deve ser implementada com mais medidas de segurança, buscando testar outros equipamentos.

> Igualdade – O Comando refirmou a necessidade de instituir mecanismos para acabar com a diferença salarial entre homens e mulheres, como demonstrou o II Censo da Diversidade. Uma dessas medidas deve ser a implementação de PCS em todos os bancos. Mas a Fenaban diz que PCS é um problema de cada banco e se recusa a incluir o tema na Convenção Coletiva.

> PCMSO – Instituir avaliação da qualidade dos exames médicos de retorno, de mudança de função e periódico. Os bancos disseram que o assunto deve ser debatido na mesa temática sobre saúde do trabalhador.

> Ampliação da cesta-alimentação para afastados.

> Fim da revalidação de atestados médicos – A Fenaban alega que pode ser feito pelos médicos do trabalho de cada banco e que não tem acordo.

> Pausas e revezamentos no autoatendimento – Após pressão do Comando, os bancos ficaram de rediscutir a concessão de rodízio para quem trabalha no autoatendimento.

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