A Comissão de Organização dos Empregados (COE) do Itaú se reuniu, nesta terça-feira, 15 de setembro, com representantes do banco para protestar contra as demissões que ocorreram em várias cidades do Brasil. Os desligamentos contrariam o compromisso da direção do Itaú de não demitir durante a pandemia do coronavírus (Covid-19). Foram 130 demissões somente na área de Veículos, além de outras que ocorrem nas agências. Os representantes do Itaú disseram inicialmente que os desligamentos ocorreram somente na área de Veículos, mas membros da COE afirmaram que também foram registradas demissões em agências, fato admitido pelo banco.

O Itaú teve um lucro de R$ 28 bilhões no ano o passado, desenvolve uma campanha para mostrar seu lado humano na pandemia, mas demite funcionários durante a maior crise sanitária vivida pelo país nos últimos 100 anos. “Como maior banco da América do Sul, o Itaú tem plenas condições de manter os empregos dos seus funcionários. No entanto, eles não cumpriram o compromisso de não demitir na pandemia e por isso queremos que o banco reveja essas demissões e discuta a realocação desses funcionários”, afirmou Ramon Peres, funcionário do Itaú e presidente do Sindicato.

Campanha

Mesmo reafirmando a importância do diálogo na mesa de negociações, os membros da COE decidiram reforçar a interlocução com os funcionários do banco e preparar uma campanha para denunciar as demissões no Itaú. A denúncia da quebra do compromisso será divulgada nas redes sociais. Nesta terça-feira, 15, houve um primeiro ensaio da campanha com um tuitaço às 14h, uma hora antes da reunião da COE com os representantes do banco. A hashtag digitada para protestar contra as demissões era #ItaúPareDeDemitir.

Na reunião com a COE, os representantes do Itaú informaram que realocaram 70% dos funcionários da área de veículos que inicialmente iriam ser demitidos. Os membros da COE cobraram mais transparência nos números de funcionários a serem atingidos pelas mudanças e que todos, e não apenas 70%, sejam realocados em outras áreas da instituição.

Porém, as demissões não ficaram restritas à área de Veículos. Essas demissões vêm ocorrendo no Brasil todo, principalmente, nos cargos de gerência. Houve também demissões de caixa dentro de agencias Também foi levantado pela COE Itaú que o banco está demitindo trabalhadores adoecidos e até mesmo outros que tinham recebido prêmios por bom desempenho. Membros da COE cobraram que o banco realize exames demissionais com critérios. “Cobramos a revisão das demissões dos trabalhadores que foram demitidos doentes e a realização de exames demissionais criteriosos para evitar demissão de trabalhadores em tratamento médico”, afirmou Luciana Duarte, diretora de Saúde do Sindicato e coordenadora do GT de Saúde.

Para a diretora do Sindicato Valdenia Ferreira, que na reunião representou a Fetrafi-MG/CUT como titular da Comissão de Organização dos Empregados do Itaú (COE Itaú), é preciso combater com veemências estas demissões e trabalhar para revertê-las. “O Itaú tem demonstrado na mídia que está muito preocupado com a situação do país. Doou milhões para o combate à pandemia mas na contramão vem demitindo seus funcionários no momento em que eles mais precisam do emprego. Funcionários estes que estão na linha de frente de atendimento mesmo durante essa crise e que têm contribuído diretamente para o aumento do lucro do banco”, destacou.

Os representantes dos trabalhadores ressaltaram ainda que os desligamentos também levantam a questão da volta das homologações serem feitas nos sindicatos da categoria. Esse será um dos pontos a serem discutidos nas próximas reuniões da COE com os representes do banco quando o debate central será o da manutenção do emprego durante a pandemia.

Ainda durante a reunião também foi construída uma agenda para tratar de outros pontos como teletrabalho, PCR e saúde e condições de trabalho.

 

Fonte: Sindicato dos Bancários de BH e Região com Contraf-CUT

 

 

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