Em comunicado enviado pelo Itaú aos funcionários, na última semana, o banco sugere que os trabalhadores se desloquem até seus locais de trabalho utilizando bicicletas. O objetivo seria reduzir os transtornos gerados pela paralisação dos caminhoneiros, que vem causando desabastecimento de combustível e transtornos em todo o país.

O Sindicato destaca que o uso de bicicletas como um meio de transporte tem crescido nos últimos anos, em Belo Horizonte, e é sim uma forma saudável e sustentável de deslocamento.

Porém, é um ultraje que o banco fale para funcionários utilizarem bicicletas para ir ao trabalho sem que haja estrutura para isso em muitas cidades e, principalmente, depois de estar realocando funcionários em unidades que ficam a dezenas de quilômetros de suas residências.

Bancários lotados na Unidade de Serviço Operacional, por exemplo, estão sendo deslocados para cidades a mais de 100 quilômetros de distância do local em que moram. Além disso, o Sindicato recebeu denúncia de uma bancária da agência Belvedere que foi demitida após cadastrar no Programa de Oportunidade de Carreira (POC) uma solicitação de realocação. A demissão é ainda mais absurda diante do fato de que a funcionária vinha superando suas metas.

Há também casos de bancários que estão na estabilidade pré-aposentadoria ou próximos dela que são enviados para agências distantes de suas casas, até mesmo em outros municípios. Fica a impressão de que o Itaú faz estas realocações para forçar que os trabalhadores peçam demissão.

A situação é grave e gera grandes prejuízos para os trabalhadores em seus estudos e convívio familiar. O Sindicato ressalta também que o que ocorre hoje no Brasil é consequência do patrocínio de banqueiros e grandes empresários às reformas que retiram empregos e direitos, assim como à política neoliberal do governo Temer, que sempre coloca os lucros de acionistas acima dos interesses da população.

Segundo Kennedy Santos, funcionário do Itaú e diretor do Sindicato, há muito tempo, a entidade cobra que o Itaú ofereça aos bancários a possibilidade de trabalharem próximos de suas residências ou faculdades. “Isso permitiria menos tempo no trânsito e mais tempo com suas famílias, promovendo mais qualidade de vida e menos adoecimento. Todavia, o que os GRAs e GSOs fazem é justamente o contrário, chegando inclusive a transferi-los para cidades nas imediações da capital”, observou.

Para Ramon Peres, que também é funcionário do banco e diretor do Sindicato, “infelizmente o Itaú acredita que alugar suas bicicletas a R$ 0,10 e mandar os bancários irem de bicicleta para o trabalho é algo que motiva as pessoas. Pelo contrário. Os bancários estão indignados com a atitude de desrespeito do banco. São eles que vendem os produtos, abrem as contas, atendem os clientes e ficam até doentes para bater as metas insanas para que o banco apresente lucros bilionários para o mercado e seus acionistas. E o Itaú ainda tem este disparate de mandar bancários irem trabalhar de bicicleta. Junte-se ao Sindicato para que possamos, juntos, combater essas atitudes de desrespeito do banco. Nossa Campanha Nacional está começando e juntos somos mais fortes”.

 

Comunicado sugeriu que bancários fossem trabalhar utilizando bicicleta

 

Compartilhe: