Quando os jornais mineiros publicam matérias dando conta de que o PSDB quer controlar os sindicatos em Minas Gerais e informam sobre as articulações tucanas para tomar a direção de importantes sindicatos de trabalhadores como da Copasa, Cemig e da educação da rede estadual, que terão eleições este ano, isso é apenas uma pequena amostra de como os tucanos vêm se articulando numa estratégia de poder que ganha corpo nacionalmente. 

 

Capitaneada pelo senador e candidato a Presidente da República Aécio Neves, o projeto do PSDB de aproximação dos sindicatos faz parte de um plano que tem o objetivo de cacifar nacionalmente o partido junto ao movimento sindical já nas eleições municipais deste ano visando as eleições presidenciais de 2014. Informações que circulam na grande mídia dão conta de que os tucanos pretendem lançar em todo país cerca de 200 candidatos originários de sindicatos de trabalhadores nas eleições municipais deste ano, sendo a maior parte para vereador, mas também reúne pretendentes a prefeito e vice. 

 

Buscando atrair dirigentes da Nova Central Sindical  de Trabalhadores (NCST) e da União Geral dos Trabalhadores (UGT), o principal alvo dos tucanos, no entanto, é a Força Sindical presidida nacionalmente pelo deputado federal Paulo Pereira da Silva (PDT), o Paulinho da Força. Em Minas, a Força apoiou as duas eleições de Aécio e a do governador Antônio Anastasia. A prova de que o tucanato está jogando todas as suas fichas na cooptação de sindicalistas desta central sindical foi o lançamento, em agosto do ano passado, do Secretariado Estadual de Relações Trabalhistas e Sindical do partido, denominado PSDB Sindical.

 

Apesar de na sua fala durante o evento, o senador Aécio Neves, ter afirmado que o braço sindical do PSDB é uma demonstração da ?preocupação do partido com o social e com os trabalhadores? todo mundo sabe que a questão social e a defesa dos interesses dos trabalhadores nunca foi o forte dos governos tucanos. Muito pelo contrário. Nós do movimento sindical ligados à Central Única dos Trabalhadores (CUT) sofremos na pele as consequências nefastas da política de privatizações, os ataques sistemáticos aos trabalhadores e a tentativa de retirada de direitos durante o governo FHC, o desrespeito ao funcionalismo público e principalmente aos professores no governo Aécio/Anastasia e o abuso da violência e a violação dos direitos humanos recentemente na desocupação da Vila Pinheirinho pelo governo Geraldo Alckmin, em São José dos Campos (SP).

 

Segundo notícia veiculada pelo jornal O Tempo, na edição do dia 24 de agosto de 2011, apesar de o namoro do PSDB com a Força Sindical ter se oficializado em agosto do ano passado, o flerte entre eles já vinha acontecendo havia tempos. O jornal informa que desde 2007 a Força Sindical é a única central sindical de Minas Gerais que recebe repasse de recursos públicos através de convênios com o governo do Estado. Ressalta também que até agosto de 2011, o governo estadual havia repassado nada menos que R$ 5,34 milhões para a manutenção de um tal Centro de Solidariedade e Apoio ao Trabalhador (CSAT), uma espécie de ?clone? estadual do Sistema Nacional de Emprego(Sine) que faz a intermediação entre os trabalhadores e as vagas disponíveis no mercado. E mais: revela que no último convênio assinado em março do ano passado e que expirou em janeiro deste ano foram repassados R$ 2,42 milhões. Como podemos ver, não é pouco dinheiro. Tanto é assim que a adesão foi imediata. Em 2010, apenas cinco meses após a assinatura do convênio que repassou R$ 2,92 milhões à Força Sindical, a entidade oficializou o seu apoio à candidatura de Anastasia à reeleição e,  após a renovação do contrato em 2011, reafirmou de vez o seu apoio incondicional ao governo mineiro.

 

Todos nós sabemos da importância estratégica de Minas para o sucesso da candidatura do ex-governador Aécio Neves à Presidência da República em 2014 e o que o projeto do PSDB representa de ruim para a organização dos trabalhadores brasileiros. Daí a importância do movimento sindical mineiro e brasileiro ligado à CUT se organizar para enfrentar e derrotar em Minas e no Brasil esses adesistas que representam o que há de pior no movimento sindical brasileiro. Não podemos aceitar que esses falsos sindicalistas, muitos deles traidores remanescentes da ditadura militar, voltem à ativa para prejudicar os trabalhadores. Afinal de contas somos a maior central sindical da América Latina e temos que nos mobilizar e mostrar ao tucanato porque representamos 3.650 sindicatos das mais diversas categorias da cidade e do campo e estamos presentes em todos os ramos da atividade econômica brasileira.

 

*Fernando Neiva é bancário da Caixa Econômica Federal, diretor do Sindicato e membro da direção nacional da CUT.

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