O lucro de R$ 2,648 bilhões do Banco do Brasil no primeiro trimestre de 2014, conforme balanço divulgado nesta quarta-feira, 7, comprova que o BB não contrata funcionários porque não quer. O resultado significou um crescimento de 4,7% em relação ao mesmo período do ano passado e uma queda de 11,5% no trimestre.

Além de não contratar, o BB prosseguiu a redução de postos de trabalho, o que é injustificável. O banco cortou 43 empregos nos primeiros três meses do ano, totalizando o fechamento de 1.492 vagas nos últimos 12 meses (queda de 7,5%). O quadro de funcionários caiu de 113.665 em março de 2013 para 112.173 em março deste ano, segundo análise da Subseção do Dieese da Contraf-CUT com base no balanço do banco.

A redução de empregos vai contra o acordo coletivo que o BB assinou com as entidades sindicais na Campanha Nacional 2013, que prevê a contratação de 3 mil bancários até agosto de 2014. Sem a ampliação do quadro de pessoal, há piora nas condições de trabalho.

No primeiro trimestre, o BB inaugurou 24 agências, somando 83 nos últimos 12 meses. Assim, o banco totalizou 5.474 agências em março de 2014.

Todo esse resultado estrondoso corresponde a uma rentabilidade sobre o patrimônio líquido anualizado (ROE) de 15,5%.

Mais crédito

A carteira de crédito ampliada cresceu 18,0% em 12 meses, atingindo um montante de R$ 699,3 bilhões (alta de 0,9% no trimestre). As operações com pessoa física cresceram 8,6% em relação a março de 2013, chegando a R$ 169,7 bilhões, o que representa 24,3% do total das operações de crédito.

Já as operações com pessoa jurídica alcançaram R$ 324,5 bilhões, com elevação de 16,9% em comparação ao 1º trimestre de 2013, totalizando 46,4% do total do crédito. O crédito voltado para o agronegócio, que representa praticamente 21% da carteira, cresceu 35,7% em 12 meses.

Inadimplência cai, mas PDD dispara

O índice de inadimplência superior a 90 dias ficou praticamente estável, com queda de 0,03 ponto percentual, ficando em 1,97% no 1º trimestre do ano em relação a março de 2013.

Apesar da baixíssima inadimplência, o banco elevou suas despesas com provisões para créditos de liquidação duvidosa (PDD) em 36,7%, em 12 meses, bem acima do crescimento do volume da carteira.

Receitas de tarifas x despesas de pessoal

As receitas com prestação de serviços e tarifas bancárias cresceram 6,7% em 12 meses, enquanto as despesas de pessoal subiram 3,7%. Com isso, a cobertura dessas despesas pelas receitas secundárias do banco subiu de 120,6% para 123,9% no 1º trimestre de 2014.

Provisões para demandas cíveis e trabalhistas

Houve queda de 7,74% nas provisões para demandas trabalhistas e crescimento de 21,5% nas provisões para demandas cíveis, sendo estas últimas relacionadas a ações movidas por clientes contra o banco em virtude de questões como cobrança de tarifas abusivas, venda casada e descumprimento de cláusulas contratuais, entre outras. Em média, essas provisões cresceram 9% no trimestre.

A provisão de cerca de R$ 3 bilhões para demandas trabalhistas é outro sinal de que a gestão não tem respeitado os direitos de funcionárias e funcionários.

Passivos contingentes

Os passivos contingentes somaram R$ 10 bilhões, entre os quais se destacam R$ 2,2 bilhões decorrentes de autuações do INSS visando o recolhimento de contribuições previdenciárias incidentes sobre abonos salariais pagos no período de 1995 a 2006 e R$ 62,5 milhões sobre o pagamento de PLR no período de abril de 2001 a outubro de 2003.

Os números mais uma vez demonstram que o BB tem plenas condições financeiras para contratar mais e melhoras as condições de trabalho dos funcionários.

 

Fonte: Sindicato dos Bancários de BH e Região com Contraf-CUT

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