Março se inicia insuflado de muita luta e resistência das mulheres de todo o país, que se organizam em defesa dos direitos, por respeito e pelo fim da violência e discriminação. As mobilizações, em todo o Brasil, denunciam um momento de retrocesso, preconceito, discriminação e ódio.

Nesta sexta-feira, 8 de março, Dia da Mulher, o Sindicato estará presente em um ato organizado pela Frente Brasil Popular e por blocos de carnaval de Belo Horizonte. A mobilização, que lembrará um ano do assassinato de Marielle Franco e também o desastre da Vale, terá início às 17h na Praça Raul Soares.

Diante do atual governo, não há muito o que se comemorar neste 8 de março. A primeira grande batalha das trabalhadoras brasileiras é contra a proposta de reforma da Previdência Social, que ataca gravemente os direitos das mulheres.

Uma das alterações mais perversas é no tempo mínimo de contribuição para conseguir a aposentadoria integral, que passará de 30 para 40, além da idade mínima de 62 anos para as mulheres e 65 para os homens.

As várias desigualdades que existem no mercado de trabalho, como a rotatividade, intermitência do trabalho, a informalidade e discriminação distanciam ainda mais o direito da aposentadoria para as mulheres. Sem contar que elas possuem duplas e triplas jornadas, sendo ainda as principais responsáveis por afazeres domésticos e do cuidado com filhos e idosos. Desta forma, dificilmente conseguem alcançar os 30 anos de contribuição, quanto mais os 40 sugeridos na nova proposta.

Por isso, é fundamental que as mulheres estejam mobilizadas para enfrentar estes e outros ataques, assim como a guerra de desinformação que se espalha pelas redes sociais.

Violência contra a mulher: uma realidade assustadora

O número de denúncias de violência contra mulheres aumentou quase 30% no ano passado. O quadro é assustador, visto que as denúncias de agressão dispararam. Em 2018, foram mais de 92 mil ligações para a Central de Atendimento à Mulher em Situação de Violência – o Disque 180.

Um balanço publicado pelo jornal “Correio Braziliense” mostrou também que, só em dezembro, 391 mulheres foram agredidas por dia e foram registradas 974 tentativas de feminicídio – um aumento de 78% em relação ao mesmo período do ano anterior.

Apesar do avanço da Lei do Feminicídio, de 2015, um instrumento muito importante para enfrentar a violência contra a mulher, é preciso mudar a questão cultural e social sobre o respeito e os valores de uma sociedade que ainda é marcada, profundamente, pelo machismo.

 

Fonte: Sindicato dos Bancários de BH e Região com Contraf-CUT

 

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