O Banco do Brasil informou que não vai complementar os salários dos funcionários que exerciam a função de caixas executivos e que foram descomissionados devido à reestruturação anunciada em novembro de 2016. Além das 402 agências que foram fechadas, 379 foram transformadas em PAA e centenas tiveram o quadro reduzido, provocando perda de cargos em várias funções.

Exceto para os caixas, o banco, a partir deste 1º de fevereiro, pagará uma Verba de Caráter Pessoal (VCP) que mantém por quatro meses o salário do funcionário que teve a função cortada. Os mais prejudicados serão os funcionários que atuam em cidades do interior do país, cuja realocação na função de caixa será mais difícil.

Para Wagner Nascimento, diretor do Sindicato e coordenador da Comissão de Empresa dos Funcionários do BB, essa decisão demonstra insensibilidade para com os funcionários e suas famílias, além de descaso com as agências do interior do país. “Um processo de desmonte de uma empresa começa com a destruição da sua cultura organizacional. E a cultura do banco sempre foi a de ter o caixa como primeiro cargo comissionado. Isto, inclusive, consta nos sistemas do banco e tem reconhecimento do Judiciário para efeito da Súmula 372 do TST. É lamentável que o banco mantenha o salário dos seus altos executivos por até um ano em caso de perda de cargo e não queira pagar nem quatro meses para os caixas”, ressaltou.

Como exemplo da falta de sensibilidade do Banco do Brasil, num dos casos de perda de comissão de caixa, o banco cortou o cargo de uma funcionária com quatro filhos, que mudou para acompanhar tratamento de saúde da mãe e está com o marido desempregado. A administração da agência tinha conhecimento desta situação e, ainda assim, cortou o cargo e não vai complementar o salário nem por quatro meses.

Havia a expectativa de que pelo menos esta reivindicação fosse atendida até esta data, dentro das propostas de manutenção de salários e cargos reivindicadas em mesa de negociação, por se tratar de isonomia com os outros cargos.

Os casos serão relatados em audiência dos trabalhadores com o Ministério Público do Trabalho, marcada para o dia 7 de fevereiro em Brasília.

 

Fonte: Sindicato dos Bancários de BH e Região com Contraf-CUT

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