Eliana Brasil*

O debate eleitoral trouxe novamente à tona o tema da autonomia do Banco Central, que mexe com a vida de todos os brasileiros. Com o intuito de ganhar a simpatia do mercado financeiro, alguns candidatos defendem com unhas e dentes maior independência do órgão e criticam a atual política econômica do governo.

Por trás das críticas, o que está implícito é a defesa de um modelo que priorize a política de mercado visando beneficiar principalmente os bancos privados, que não se conformam com o papel social assumido pelos bancos públicos de fomentar o desenvolvimento do país. É uma posição de confronto em relação às políticas do governo, que defende o desenvolvimento econômico com distribuição de renda e investimento em políticas sociais. O que os banqueiros, na verdade, querem ao defender a independência total do Banco Central é o enfraquecimento do Estado como fomentador do crescimento econômico e dos direitos sociais, ficando totalmente submetido à lógica do mercado.

Dar mais autonomia ao Banco Central, como querem alguns candidatos, é priorizar o ajuste fiscal em detrimento da expansão econômica e da distribuição de renda. Não é à toa que o programa de governo da candidata Marina Silva – que tem como coordenadora de campanha a herdeira do Itaú Maria Alice Setúbal, a Neca Setúbal –  defende a mudança da política de crédito do governo federal, criando mecanismos para que os bancos privados possam aumentar sua participação em relação aos bancos públicos como o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal.

É bom lembrar que os conselheiros econômicos dos candidatos que defendem mais autonomia do BC são os mesmos responsáveis pela condução da política perversa neoliberal que, durante o governo Fernando Henrique Cardoso, promoveu todo tipo de ataques aos direitos dos trabalhadores. Estes mesmos economistas comandaram o processo de privatização das empresas estatais, o desmonte da Caixa Econômica e do Banco do Brasil e desregulamentaram a economia, concedendo todo tipo de facilidades ao mercado. São estas mesmas pessoas que, agora, após 12 anos, querem voltar para continuar o trabalho inacabado.

Nós, do movimento sindical bancário, entendemos que o Banco Central não precisa de mais autonomia para beneficiar ainda mais os bancos privados. O sistema financeiro brasileiro é que precisa, sim, ser democratizado para que a sociedade brasileira possa interferir sobre o acesso ao crédito, a redução dos juros e das tarifas bancárias, por mais segurança nas agências e um atendimento digno à população. Essa é uma das principais bandeiras da categoria bancária.

 

*Eliana Brasil é bancária da Caixa Econômica Federal e presidenta do Sindicato dos Bancários de BH e Região

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