Terminou sem acordo a reunião entre a Comissão de Organização dos Empregados (COE) do Mercantil do Brasil e o banco, realizada na manhã desta terça feira, 25 de agosto, sobre o Acordo Coletivo de Trabalho baseado na MP 936, editada pelo Governo que regulamenta a suspensão do contrato de trabalho e redução salarial dos trabalhadores. A negociação foi mediada pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPT/MG).

Na reunião, o Mercantil do Brasil insistiu mais uma vez na redução temporária da jornada de trabalho e na remuneração de 50% para todos os empregados ou parte destes, a critério do empregador e também na suspensão temporária do contrato de trabalho por até 120 dias.
Diante à imposição do Mercantil do Brasil na piora do acordo e observando as disparidades das propostas apresentadas pelo banco e as propostas apresentadas pelo Movimento Sindical, que buscava a solução a favor dos trabalhadores, o Ministério Público do Trabalho sugeriu o encerramento das tratativas de negociação e deu como concluída a mediação, em razão do não consenso entre as partes.

Para Marco Aurélio Alves, funcionário do Mercantil do Brasil e coordenador nacional da COE Mercantil, o movimento sindical sempre estará disposto a dialogar sobre acordos coletivos que tragam garantias aos trabalhadores, mas nunca nesse nível de perdas que o Mercantil queria impor aos seus funcionários. “Já realizamos acordos com outras instituições financeiras baseados na MP 936, diante das excepcionalidades impostas pelo Covid-19, mas as contrapartidas aos trabalhadores foram muito superiores às eventuais perdas, como limitação de funcionários atingidos pelo acordo, garantia de redução temporária de salário de, no máximo, 25%, recebimento integral do salário líquido e estabilidade provisórias de emprego”, afirmou.

Segundo Marco Aurélio, como se já não bastassem as péssimas condições de trabalho nos departamentos e agências superlotadas do Mercantil e a pressão por metas cada vez mais absurdas impostas pela área comercial, o acordo proposto pelo banco tinha o intuito de aumentar ainda mais o lucro em cima das perdas e sofrimento dos funcionários. “ Isso nós não vamos admitir em hipótese alguma”, destacou.

Para Magaly Fagundes, membra do Comando Nacional dos Bancários e presidenta da Fetrafi-MG/CUT, mais uma vez o Mercantil do Brasil mostrou todo o descaso com os trabalhadores diante ao difícil momento de pandemia a qual todos estão passando. “Na reunião, o Mercantil ainda insistiu na apresentação aos seus funcionários do pior acordo de perdas na redução e na suspensão temporária de contrato de trabalho de todo o setor financeiro. Uma total falta de respeito e uma discrepância social, tendo em vista o vultuoso lucro de 74 milhões obtido apenas no primeiro semestre de 2020, um dos maiores da história do banco”, afirmou.

Para Vanderci Antônio da Silva, funcionário do Mercantil do Brasil e diretor do Sindicato dos Bancários de BH e Região, os representantes do banco deixaram escapar na reunião que o acordo proposto seria para agradar os acionistas do Mercantil do Brasil, ávidos por lucros cada vez mais exorbitantes. “Os representantes do Mercantil do Brasil na reunião ameaçaram com a possibilidade de imposição de acordos individuais aos trabalhadores sem a participação dos sindicatos, o que é permitido pela MP 936, mas o movimento sindical irá combater e denunciar toda pressão e coação contra os funcionários. Caso seja necessário, os sindicatos podem ainda atuar como substitutos processuais, judicializando eventuais ofensas aos direitos individuais dos trabalhadores”, concluiu.

Fonte: Sindicato dos Bancários de BH e Região

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