Em novembro, mês da Consciência Negra, o Sindicato reforça a importância da luta pela igualdade racial, com o fim das desigualdades observadas nos bancos. O II Censo da Diversidade, realizado entre março e maio de 2014, e que teve seus resultados divulgados em 3 de novembro, comprova que negros e negras continuam sendo vítimas do racismo nos bancos e da carência de políticas afirmativas para garantir igualdade na contratação, na remuneração e na ascensão profissional.

Entre o primeiro e o segundo censos, houve um pequeno crescimento da população negra nos bancos. Considerando pretos e pardos, de 2008 a 2014, a porcentagem passou de 19% para 24,7%. No entanto, essa presença é ainda inferior à participação dos negros na população brasileira, que é de 51%, segundo dados do Censo de 2010 do IBGE.

Esse perfil eminentemente branco da categoria bancária (74,6%) não pode ser considerado “normal” em um setor que almeja ser moderno e inovador. Ademais, o Brasil ratificou a Convenção da ONU sobre eliminação de todas as formas de discriminação, em 1966, e aprovou o Estatuto da Igualdade Racial, em 2010.

A diferença de renda média mensal entre negros e brancos continua acentuada nos bancos. Conforme dados do II Censo, essa diferença foi reduzida de 15,9% para 12,7% entre 2008 e 2014. Entretanto, quando observadas as regiões do país, verifica-se distorção ainda maior nos rendimentos. A diferença chega a atingir 18,8% na região Sudeste.

Quando se compara a remuneração das mulheres negras com a dos homens brancos, as diferenças são ainda maiores. Em média, as mulheres negras recebem 31,8% a menos que os homens brancos e, na região Sudeste, a diferença é ainda maior, de 38%.

Os números mostram que a invisibilidade de negras e negros no sistema financeiro ainda é um grave problema. Após 126 anos da abolição formal da escravatura no Brasil, a população negra segue sendo discriminada no mercado de trabalho e no acesso aos mais diversos espaços e serviços públicos. Diante deste quadro, é preocupante que, mesmo após a apresentação do resultado do II Censo, os bancos não tenham apresentado qualquer plano de ação para corrigir as distorções.

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Ações afirmativas pela igualdade racial nos bancos

A Febraban insiste em atribuir as desigualdades existentes no setor financeiro apenas aos fatores sociais, isentando os bancos de suas responsabilidades. Não é à toa que, ao divulgar o resultado do II Censo, a Febraban não apresentou um Plano de Ação com medidas concretas para corrigir as distorções existentes.

A categoria cobra ações afirmativas de inserção para a população negra, começando pela destinação de cotas de contratação em todos os bancos. A igualdade racial também deve ser garantida através de planos de cargos e salários com regras objetivas e transparentes em todas as instituições financeiras, principalmente nos bancos privados.

Dia da Consciência Negra

O Dia Nacional de Consciência Negra surgiu em 1971 por iniciativa do Grupo Palmares de Porto Alegre (RS) e foi assimilado, em 1978, durante congresso do Movimento Negro Unificado contra a Discriminação Racial, que depois veio a denominar-se Movimento Negro Unificado – MNU. A data passou a constar na agenda oficial do Brasil, consagrando como herói o líder negro Zumbi dos Palmares, líder do Quilombo dos Palmares.

Zumbi nasceu em 1655, em Palmares, atual estado do Alagoas. Descendente de guerreiros Imbangalas, de Angola, foi aprisionado por uma expedição portuguesa e entregue aos cuidados do Padre Antônio Melo, que o batizou de Francisco. Com o religioso, aprendeu a escrever em português e latim.

Aos 15 anos, fugiu em busca de suas origens e voltou para o Quilombo dos Palmares, uma comunidade livre formada por escravos fugitivos das fazendas. Tornou-se líder da comunidade aos 25 anos, se destacando pela habilidade em planejamento, organização e estratégias militares. Sob seu comando, Palmares obteve diversas vitórias contra os soldados portugueses.

No ano de 1694, o quilombo foi atacado pelo bandeirante Domingos Jorge Velho. Após o combate, a sede da comunidade ficou totalmente destruída. Zumbi conseguiu escapar, mas seu esconderijo foi denunciado por um antigo companheiro.

Em 20 de novembro de 1695, o líder negro foi capturado e morto, aos 40 anos de idade.

 

Fonte: Sindicato dos Bancários de BH e Região com Contraf-CUT

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