A defesa das empresas públicas foi tema de debate neste segundo dia da Conferência Estadual dos Bancários. O painel contou com exposições de Rita Serrano, representante eleita dos empregados da CAIXA no Conselho de Administração do banco e coordenadora do Comitê Nacional em Defesa das Empresas Públicas, e do presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares (Contag), Aristides dos Santos.

Em sua fala, Rita Serrano deixou claro que tudo que é público está em jogo no Brasil com a política privatista adotada pelo governo Temer. “O governo e o congresso têm compromisso com o capital privado, principalmente com o capital internacional. Por isso, todas as empresas estão passando pelo mesmo cenário de desmonte, fechamento de postos de trabalho e venda de ativos”, explicou.

A bancária destacou também que, neste movimento, o papel da imprensa tem sido fundamental. Isso se dá com a difusão da ideia de que as empresas públicas são ineficientes e que a corrupção só existe naquilo que é público. Para defender a privatização, segundo Rita, deixa-se de discutir a corrupção como um problema maior e inerente ao sistema capitalista.

Durante a apresentação, Rita Serrano também demonstrou a importância dos bancos públicos para o desenvolvimento do país. Para se ter ideia, 56% do crédito no Brasil é proveniente destes bancos. A CAIXA, por exemplo, conta com 70% do mercado habitacional do país, o que totaliza R$ 370 bilhões.

“Porém, a CAIXA hoje passa por um processo avançado de privatização. Não com a abertura de capital, mas com a estratégia de venda de ativos e de áreas como a de seguros, loterias e cartões”, afirmou Rita.

Além disso, a bancária explicou que o FGTS, administrado pela CAIXA, está ameaçado pela ganância dos bancos privados. O fundo, que hoje conta com cerca de R$ 500 bilhões, é utilizado para políticas e investimentos sociais e, por isso, toda a sociedade terá perdas drásticas se ele for privatizado. Segundo Rita, há hoje cerca de 30 projetos no Congresso que visam esvaziar o FGTS.

Da mesma forma, a Loteria da CAIXA corre o risco de ser vendida. Hoje, metade do que é arrecadado pelas loterias é destinado para o investimento social. Entre 2011 e 2016, foram R$ 60 bilhões arrecadados e R$ 27 bilhões investidos em áreas sociais. Com a venda, este dinheiro fundamental irá para os bolsos dos empresários.

Para Rita, a conjuntura é difícil, mas é necessário lutar para impedir os retrocessos. “Precisamos valorizar nossas entidades sindicais e associativas organizadas, o histórico de vitórias do povo. Na década de 1990, lutamos durante 10 anos para impedir a extinção de importantes empresas públicas. Ganhamos também a guerra contra o PLS 555, que permitiria a privatização de todas as estatais brasileiras. A categoria bancária é forte e está espalhada por todo o Brasil. Temos que usar esta imensa rede para enfrentar estas ameaças”, destacou.

Já o presidente da Contag, Aristides dos Santos, falou da importância da agricultura familiar. Hoje, por exemplo, 70% do feijão consumido pelos brasileiros vem destes agricultores, assim como 59% dos suínos. “Em média 70% do que chega à mesa dos brasileiros vem da agricultura familiar, é produzido por homens e mulheres que têm sido poucos valorizados”, afirmou.

Fazendo também um panorama sobre o duro cenário nacional, Aristides citou a reforma trabalhista do campo apresentada no Congresso. O projeto nefasto prevê até mesmo que os assalariados do campo possam ser pagos com moradia, alimentos ou serviços.

Concluindo sua fala, Aristides falou da importância das empresas públicas também para o setor dos agricultores familiares. “Se não for o banco público para nos emprestar dinheiro, ninguém empresta. Se não for a CAIXA, onde conseguiremos dinheiro para reformar nossas casas e construir para quem não tem? Não existe plano de saúde pra agricultor familiar, para a gente da roça. Por isso, esse debate é tão importante. Não podemos relaxar, precisamos estar na luta sempre, pois eles vão querer fazer de tudo para destruir nossos direitos e empresas públicas neste período. Esta luta tem que ser da sociedade como um todo, e não apenas das categorias organizadas”, destacou.

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