As instituições públicas devem ser chamadas para liderar movimento para derrubar tarifas bancárias no país. Isso porque, enquanto o juro cai desde março, quando Banco do Brasil e Caixa lideraram a ofensiva do governo federal para reduzir as taxas cobradas dos clientes, tarifas de serviços bancários subiram até 73,3%.

Campanhas de conscientização e eliminação de cobranças devem ser armas do Banco Central (BC) e da Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon) do Ministério da Justiça para tentar forçar uma queda.

Na avaliação de especialistas, após o combate ao juro alto, este será um ano para o governo enfrentar outros custos que pesam nas operações financeiras. Em dezembro, a escassez de informações sobre pacotes bancários levou a Senacon a notificar seis dos maiores bancos do país – Banco do Brasil, Bradesco, Caixa Econômica Federal, HSBC, Itaú Unibanco e Santander. Pacotes unem várias tarifas, mas além da composição básica, fiscalizada pelo BC, há centenas de combinações que dificultam a comparação.

Mesmo remédio aplicado no caso dos juros, o uso dos bancos públicos para dar o exemplo deverá ser uma das estratégias para encaminhar reduções nas tarifas, projeta o professor de Finanças da Universidade de São Paulo (USP) Alberto Borges Matias. Hoje, as taxas de bancos públicos são similares às de instituições privadas – às vezes até mais altas.

Matias afirma que o BC precisa iniciar programas de conscientização para comparar taxas e negociar condições mais amigáveis, ampliando a divulgação da pesquisa de tarifas. Levantamento da Proteste em outubro mostrou que o preço de serviços pode variar até 10 vezes entre instituições. “É preciso estimular o consumidor a usar os serviços mais baratos, como operações pela internet”, diz Matias.

Para reduzir tarifas, o matemático financeiro José Sobrinho defende nova rodada de padronização de serviços e eliminação de taxas. O item com a maior alta foi o adiantamento a depositantes, permissão para que o correntista exceda o limite da conta.

 

Fonte: Zero Hora

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