Foto: Contraf-CUT

 

Representantes da categoria realizaram nesta quarta-feira, 10, em São Paulo, um Seminário sobre a saúde dos trabalhadores. O Sindicato participou do evento representado pela presidenta do Sindicato, Eliana Brasil e pela diretora de Saúde, Luciana Duarte.

Na primeira mesa do evento, trabalhadoras e trabalhadores debateram as metas abusivas, riscos psicossociais e os impactos à saúde dos bancários.

Elisa Ferreira, que é psicóloga, especialista em psicologia clínica, perita assistente na Justiça do Trabalho, consultora e assessora em saúde do trabalhador, explicou os quadros de sintomas que podem indicar o início do adoecimento. “A sociedade está acostumada a perguntar se está com problemas em casa, com os filhos, com o casamento, na vida pessoal de forma geral, quando na verdade, o problema está no local de trabalho. Precisamos ficar atentos”, afirmou.

A psicóloga destacou que o maior problema é a vergonha dos trabalhadores em assumir um problema. “Menos de 20% dos bancários com este tipo de problema apresentam os atestados ou buscam seus direitos para os tratamentos. Eles têm medo de apresentar a documentação e ficarem com um ‘X’ nas costas. Temos que coibir este tipo de mentalidade nos bancos”, concluiu.

 

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Metas abusivas

Já a segunda mesa da manhã tratou de metas abusivas, seus limites legais e a estratégia jurídica de enfrentamento. Jane Salvador Gizzi, que é advogada trabalhista, mestre em Direito Econômico e Social, professora licenciada do Centro Universitário Unibrasil e membro do Instituto Declatra, explicou os efeitos deste tipo de gestão na vida do trabalhador.

“Às vezes o trabalhador atingiu a meta, mas a que custo? A cobrança abusiva leva à precarização da existência, quando o trabalhador faz as coisas sem perceber, trabalha resistindo, trabalha adoecido, até não aguentar mais”, explicou Jane.

Há também a forma de trabalho como mercadoria. “Há falta de identidade do trabalhador, ele trabalha como se o negócio fosse dele. Ele tem na cabeça que precisa se pagar. Ele acaba sendo o responsável pelo lucro para pagar por ele mesmo”, afirmou.

Outro modelo de repercussão é o modelo de vida “Just In time”, com o pensamento de tudo para agora. “As metas não são mais semestrais, são do dia, da semana. É tudo para ontem, o que aumenta muito a cobrança. Isso vem junto com o abuso do direito mediante técnicas e políticas de gestão: metas abusivas, controle do tempo, do ritmo e da produtividade”, ressaltou a advogada.

Por sua vez, a psicóloga Elisa Ferreira afirmou que o melhor tipo de enfrentamento é o trabalho e a união junto ao movimento sindical. “Sem a união dos trabalhadores, todos vão sofrer sozinhos, cada um em seu local de trabalho”, destacou.

Ainda na segunda mesa, o assessor jurídico do Sindicato dos Bancários Porto Alegre, Antônio Vicente Martins, apresentou inquéritos que envolvem programas de metas pelos altos índices de adoecimento. “Os bancos têm uma violação sistemática das métricas de saúde, o que acaba gerando o adoecimento de toda a categoria. Os bancos também não só dificultam o processo de entrega dos atestados, como impõem uma política punitiva aos trabalhadores afastados. Por isso, ele não tem interesse em ter um controle de adoecimento de seus quadros de funcionários, pois ficaria claro que as políticas de gestão são as culpadas”, afirmou.

 

Fonte: Sindicato dos Bancários de BH e Região com Contraf-CUT

 

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