Foto: Seeb/Brasília

Compromisso foi assumido em audiência com a Contraf-CUT, em Brasília

 

Durante audiência com a Contraf-CUT, assessorada pela Comissão de Gênero, Raça e Orientação Sexual (CGROS), ocorrida na tarde de quarta-feira, dia 15, em Brasília, a ministra-chefe da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir), Luiza Helena de Bairros, se comprometeu em chamar uma reunião entre a Contraf-CUT e Federação Brasileira de Bancos (Febraban). A audiência tratará da falta de efetividade do protocolo de intenções que prevê cooperação mútua para ampliar a inserção da população negra no sistema financeiro. O Sindicato foi representado pelo diretor Sebastião Maria(Tiãozinho).

Na avaliação do movimento sindical, não houve avanços, mas recuos em relação aos objetivos do documento assinado entre a Febraban e a Seppir, em julho de 2010. O secretário-executivo da Secretaria, Mário Lisboa, também participou do encontro.

O que mais chamou a atenção foram as demissões de negros, na sua maioria mulheres, nos bancos privados. Dados apresentados pela Contraf-CUT à ministra apontam que, além de não haver mais contratações, registrou-se aumento das demissões de negros nessas instituições nos últimos dois anos, principalmente no Itaú.

O próprio relatório de sustentabilidade do Itaú revela que houve aumento de 14% no número de desligamentos de mulheres negras no banco em 2011 em comparação com o ano anterior. Além disso, segundo o Mapa da Diversidade, feito pela Febraban e divulgado em 2009, os negros e pardos constituíam 19% da mão-de-obra bancária, ao passo que hoje esse índice está em 18%.

Os dados desmascaram mais um truque dos banqueiros, que se utilizam do Relatório Anual de Informações Sociais (Rais) do Ministério do Trabalho e Emprego, que engloba o sistema financeiro como um todo, para dizer que está havendo contratações de negros. Mas como nos bancos públicos as admissões se dão via concurso, a realidade acaba não aparecendo.

Limpeza étnica e invisibilidade visível

Diante dos números, a Contraf-CUT classificou de limpeza étnica a política dos bancos privados de demitir preferencialmente negros (e mulheres negras) e lançou um desafio à ministra. Que ela, acompanhada de dirigentes sindicais, percorra agências de bancos privadas na região do centro de Brasília, e mesmo na Esplanada dos Ministérios, para comprovar que não há negros trabalhando nos bancos e, quando há, eles são minoria absoluta.
Portal de Igualdade

Os representantes dos trabalhadores também denunciaram à Seppir a ineficiência do Portal da Igualdade, criado pela Febraban para recrutamento de pessoas negras. Hoje, os bancos se negam a divulgar informações sobre as pessoas que estão sendo contratadas e as funções nas quais estão sendo alocadas, o que mostra que os instrumentos de inclusão da Febraban não estão funcionando.

Além disso, os bancos haviam se comprometido a divulgar o resultado desse processo a cada seis meses, o que não está acontecendo.

A reunião entre a Seppir, a Contraf-CUT e a Febraban deverá ser agendada tão logo termine a Campanha Nacional dos Bancários 2012. O diretor do Sindicato, Sebastião Maria (Tiãozinho), ressaltou a importância do encontro. “A audiência com a ministra Elisa, com certeza, marca o início de uma parceria entre a Seppir e o movimento sindical bancário para fortalecer nossa luta contra a discriminação racial nos bancos, principalmente, nas contratações”, avaliou.

 

 

 

 

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