Representantes dos empregados da CAIXA entregaram nesta quarta-feira, 6, à presidenta do banco, Miriam Belchior, documento contendo pontos que consideram essenciais para melhorar as condições de trabalho e o fortalecimento da empresa como 100% pública. Na oportunidade, Miriam reafirmou que o governo não irá abrir o capital da CAIXA, que deseja manter diálogo permanente com as representações dos trabalhadores e que está reavaliando os canais de negociação com os empregados.

O encontro, realizado na sede da instituição em Brasília, foi solicitado pela própria Miriam Belchior. Entre os participantes do encontro estavam representantes da Fenae, da CUT, da Comissão Executiva de Empregados (CEE/Caixa), dos sindicatos de São Paulo e Brasília e a conselheira suplente eleita pelos empregados para o Conselho de Administração da CAIXA, Maria Rita Serrano.

Durante a reunião, os trabalhadores colocaram para Miriam suas expectativas em relação à gestão da CAIXA, com a defesa do banco 100% público e de seu papel no desenvolvimento social e econômico do Brasil.

A coordenadora da CEE/CAIXA, Fabiana Matheus, reivindicou à presidente do banco o aprimoramento da mesa permanente. “Esse canal de negociação precisa de mais autonomia, para asseguramos que os problemas levados tenham soluções com a agilidade necessária”, enfatizou.

Maria Rita Serrano defendeu junto à direção da CAIXA melhorias nos canais de comunicação com o banco. “Também queremos mais transparência na divulgação entre os empregados das ações da empresa no enfrentamento das denúncias de que tem sido alvo”, frisou.

A presidenta da CAIXA, Miriam Belchior, explicou que a intenção da reunião era ouvir a visão dos trabalhadores sobre o processo de negociação com a empresa, sobre as rodadas mais recentes. “É importante ter esse retorno a respeito de como tem sido o trabalho para que a gente possa aperfeiçoar ao máximo neste período que estarei à frente da CAIXA”, afirmou.

Documento pede mais empregados e melhores condições de trabalho

No documento entregue a Miriam Belchior, as entidades destacam a importância da CAIXA como banco 100% público para o desenvolvimento econômico e social do país. “Foi uma grande vitória para os brasileiros a decisão do governo de não abrir o capital da CAIXA”, enfatiza o texto. Também há um resgate dos momentos difíceis enfrentados pelo banco durante os governos neoliberais, com tentativas de desmonte com o objetivo de privatizá-lo.

O documento destaca ainda demandas para melhorar as condições de trabalho na unidades da CAIXA. A mais urgente delas é acelerar o ritmo das contratações. “Faltam empregados, o que sobrecarrega os atuais trabalhadores, que ainda enfrentam dificuldades para receber horas extras e salários de substituição de colegas”, diz o texto. E lembra: “Milhares de empregados estão deixando a empresa por meio do Plano de Apoio à Aposentadoria (PAA)”.

Outra reivindicação diz respeito ao fim do programa Gestão de Desempenho de Pessoa (GDP), que está sendo implantado de forma unilateral pelo banco desde o ano passado. “O mecanismo afronta todos os princípios coletivos da relação de trabalho, pois cria um contrato individual de trabalho, institucionaliza a cobrança de metas individuais, rotula os empregados, acirra a competitividade nos locais de trabalho, favorecendo o assédio moral e o adoecimento, duas mazelas que devem ser diariamente combatidas”.

A isonomia de direitos entre todos os trabalhadores da CAIXA é mais uma demanda contida no documento entregue à Miriam Belchior. “A distinção (…) começou em 1998, quando as contratações ocorreram com direitos rebaixados. (…) A partir de 2003, alguns direitos foram reconquistados. Hoje, entidades e empregados lutam pela volta da licença-prêmio de 18 dias por ano e do ATS/anuênio, um adicional de 1% do salário a cada ano de serviço”, explica o texto.

As representações dos empregados ainda cobram soluções para o contencioso judicial da Funcef, que decorre de ações trabalhistas contra o banco e que tem causado custos elevados e onerado os planos de benefícios. Outra reivindicação da categoria é a extensão do Saúde Caixa para os que se aposentaram por meio dos Programas de Demissão Voluntária realizados em 1996, 2000 e 2001.

“A Caixa Econômica Federal é hoje um dos maiores bancos do país. O maior 100% público. Sem deixar de lado o importante e histórico papel social, continua avançando no mercado, o que tem incomodado o setor privado. E tudo isso graças principalmente à valorosa contribuição dos seus empregados. O reconhecimento desses trabalhadores avançou nos últimos 12 anos. Mas ainda há muito para reparar e avançar”, finaliza o texto.

 

Fonte: Sindicato dos Bancários de BH e Região com Contraf-CUT

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