hermelio1_29nov

Foi com grande pesar e consternação que recebemos a triste notícia do falecimento do nosso eterno companheiro de muitas lutas Hermélio Soares Campos. Bancário histórico de muitas batalhas, o Seu Hermélio, como era carinhosamente conhecido, foi presidente do nosso Sindicato durante a gestão 1972/1974, quando enfrentou um dos piores períodos da ditadura militar.

Nascido em 27 de agosto de 1923, na cidade de Porto Velho da Cunha, no Rio de Janeiro, Hermélio sempre foi um militante aguerrido na luta em defesa dos trabalhadores brasileiros.

Aposentado do Bemge, era presidente e fundador da Associação dos Bancários Aposentados e Pensionistas de Belo Horizonte (Abapbel). Fundada em 22 de agosto de 1980, a Associação atua em parceria com o Sindicato na defesa, orientação e proteção dos direitos do trabalhador bancário aposentado e pensionista, além de promover a integração da categoria através de atividades culturais e educacionais.

O movimento sindical sentirá a falta deste batalhador incansável, que não media esforços para conquistar um mundo mais fraterno e igualitário. Neste momento de perda e dor, nos solidarizamos com os familiares e amigos.

Companheiro Hermélio, presente!

Confira, abaixo, depoimento dado por Seu Hermélio para a “Revista dos Bancários – Especial 75 Anos”:

“No dia que estourou o golpe eu nem era diretor, era membro da Comissão de Banco, mas estava no Sindicato, ouvindo um comício no rádio, quando recebemos um telefonema. A pessoa disse: saiam daí agora porque acaba de estourar a revolução e eles vão fechar todos os sindicatos à meia noite em ponto. Isso era por volta das 10h da noite. Cada um começou a sair do Sindicato. Alguns ficaram porque tinham responsabilidades com a entidade. Por volta de 11h40 eles chegaram, fecharam o Sindicato e fizeram uma balbúrdia danada. Aqueles que eram de direitona e nunca ganharam o Sindicato se prestaram ao papel de vir aqui, trazer a polícia e falar que tinha isso e aquilo. Eu saí, fui para casa. Mas os militares acabaram prendendo e torturando o Antônio Faria, que era presidente, e vários outros. Era uma loucura. Aqui no Sindicato tínhamos comprado um mimeógrafo da Tchecoslováquia, que chegou em uma caixa grande. O presidente do Sindicato dos Mineradores de Nova Lima, o Dazinho, viu e pediu a caixa para usar de mesa. Isso antes do golpe. Pois quando fecharam o sindicato de Nova Lima e acharam a caixa, os militares disseram que o Sindicato dos Bancários havia trazido armas da Tchecoslováquia na caixa, para fazer a revolução. Torturaram todo mundo até que confirmassem essa versão. Quando fui presidente, tentávamos contornar a situação difícil para o Sindicato. Ainda assim, Belo Horizonte conseguiu os melhores acordos coletivos do país – já que a Convenção ainda não era nacional. Uma coisa interessante é que o pessoal conseguia fugir da repressão usando a segunda escada, que leva à garagem. São duas escadas, uma que entra pela garagem e essa, entrando pela frente do prédio. Como os caras não sabiam, eles subiam por uma e a turma descia pela outra e escapava. Agora, eu só lamento de não ter feito uma coisa na época que fui presidente: eu não pensei em colocar um elevador no prédio. A gente não sabia que ficaria velho e continuaria vindo aqui no Sindicato”.

Hermélio Soares Campos (1923-2016)

Compartilhe: