Foto: Guina Ferraz

Os funcionários do Banco do Brasil garantiram, nesta quarta-feira, 22, em negociação com o banco, a manutenção da gratificação da função de caixa para os funcionários que foram descomissionados, em 31 de janeiro, devido processo de reestruturação. O BB chamou o descomissionamento de caixas de “desgratificação”, um termo até então não usado durante o processo de negociação.

O descomissionamento ocorrido no final de janeiro será revertido e a gratificação de caixa será mantida até 31 de maio. Quem foi realocado no período após 1 de fevereiro vai ter a compensação dos dias que ficou sem comissão de caixa.

Para Wagner Nascimento, diretor do Sindicato e coordenador da Comissão de Empresa dos Funcionários do BB, o resultado da reunião foi positivo pois, de fato, houve avanços para os funcionários. “Se banco quer chamar descomissionamento de caixa de ‘desgratificação’, para nós, o conceito não muda. A reversão de descomissionamento vai ajudar algumas centenas de caixas. Cobramos ainda a atenção quanto ao endividamento e também um retorno positivo às demandas apresentadas. Continuaremos a discutir este tema acompanhando os casos pontuais”, afirmou.

O Banco do Brasil também ratificou a proposta divulgada na semana passada de não exigir jornada de 8 horas para os funcionários que estão em VCP como escriturários ou em cargo atuais de jornada de 6 horas.

Outra proposta apresentada pelo banco referente às demandas apresentadas pelos representantes dos funcionários é a ampliação do programa de readequação de endividamento para que funcionários que perderam renda com descomissionamento ou descenso possam ajustar suas dívidas à nova realidade financeira.

Apresentação de dados

O banco apresentou mais dados sobre o número de funcionários em VCP como escriturários, bem como a quantidade de vagas e realocações de caixas. Os representantes dos bancários solicitaram ao banco um mapa regional com o número de funcionários em VCP realocados em descenso, ou seja, realocados em função e salário inferiores.

Redução de quadros piora as condições de trabalho e preocupa

Os representantes dos funcionários demonstraram, durante a negociação, a preocupação em relação aos locais onde houve redução no quadro de funcionários, mas que tiveram absorção de serviços oriundos de agências que foram desativadas. Os funcionários reclamam que a redução na dotação das agências foi feita antes da migração dos serviços, o que tem causado sobrecarga de trabalho e prejudicado o atendimento aos clientes.

Foi abordada, também, a preocupação com o atendimento das Gepes, que tiveram redução de funcionários, e a centralização de serviços na Gepes Brasília sem aumento no quadro.

Preocupação com adoecimento

A redução de quadros com aumento da carga de trabalho, os descomissionamentos e a redução salarial têm provocado um número maior de afastamentos por licença saúde em vários locais. A Comissão de Empresa solicitou ao banco relatório com o número de afastamentos com o objetivo de discutir mais profundamente o adoecimento de bancárias e bancários e uma forma de reduzir esse problema.

Escritórios Digitais

Foi cobrado do banco o cuidado com a ambiência e ergonomia nos escritórios digitais. Algumas situações já foram detectadas pelo banco, mas ainda não foram melhoradas, como a falta de divisórias entre as bancadas, o excessivo número de funcionários em cada sala e a demora na chegada de materiais ergonômicos solicitados. Os representantes dos funcionários solicitaram, mais uma vez, o cronograma de instalação dos escritórios digitais.

Foi cobrada também uma solução para os comissionamentos dos gerentes de Atendimento de Fluxo nas agências Estilo. Muitos ainda não foram nomeados porque teriam que voltar ao módulo básico da função, com redução de salário.

De acordo com Wagner Nascimento, esta situação dos gerentes de Fluxo não faz o menor sentido, uma vez que o banco criou o novo cargo para modificar o modelo de atendimento, mas não previu a ampliação do módulo avançado naquela função. “Ao invés de criar uma solução, criou-se um problema que piora o atendimento”, explicou.

Radar da Gerência Média

Os representantes dos bancários comunicaram ao banco que foram pegos de surpresa com a divulgação do Radar da Gerência Média, uma vez que havia compromisso do BB em apresentar o programa aos sindicatos, assim como fez com o programa Radar do Gestor, em mesa específica sobre o assunto.

Foi cobrada do BB uma mesa para a apresentação do programa, já que ele pode impactar na avaliação funcional e gerar até descomissionamento de funcionários. O banco se comprometeu a marca uma mesa para os próximos dias.

Economus

Foi cobrada do banco uma reunião para discutir os problemas no plano de equacionamento, divulgado pelo Economus sem negociação com as entidades sindicais. Os sindicatos denunciam que os cálculos apresentados por aquela entidade estão destoando sobremaneira de outros planos de previdência, inclusive sobre a adoção de cálculos atuariais fora do padrão.

Liberação do TAO e ascensão entre grupos de funções

O Banco do Brasil informou que muitas vagas já estão com problemas por falta de concorrência, dificultando o processo de nomeações. Por este motivo, estão sendo estudadas medidas para liberar as nomeações em vários níveis, mas que serão comunicadas antecipadamente aos sindicatos antes da divulgação.

Negativas

O BB adiantou que não vai tomar nenhuma medida para adotar administrativamente os efeitos da Súmula 372 do TST, tema que foi abordado em audiência com o Ministério Público. Foi negada também a intenção de implantar VCP permanente aos funcionários não realocados.

 

Fonte: Sindicato dos Bancários de BH e Região com Contraf-CUT

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