Foto: Jailton Garcia

Em negociação com o Banco do Brasil realizada na sexta-feira, 4, em São Paulo, as entidades de representação dos funcionários da ativa e aposentados voltaram a discutir propostas de caráter emergencial que possam ter impacto no fechamento das contas da Cassi em 2015.

O Banco do Brasil apresentou dados sobre recursos que poderiam ser repassados, provenientes de acertos do PAS – Programa de Assistência Social, que seriam devidos pelo banco à Cassi. A diretoria da Cassi havia montado um grupo de trabalho para apurar os dados e levantar documentos com este objetivo.

O banco também passou informações sobre os recursos que entrariam na Cassi provenientes de recolhimento de contribuições sobre benefícios do INSS, que não estavam no convênio, além de outros recursos que estão sendo apurados dentro da própria Cassi.

Segundo o banco, estas medidas, juntamente com outras que já vêm sendo discutidas na Cassi, reforçarão o caixa da entidade, de forma a não consumir a totalidade das reservas livres nos próximos quatro meses.

Respostas negativas

O banco apresentou resposta negativa quanto à proposta de contribuição sobre valor a ser distribuído da PLR, antes do repasse aos funcionários, alegando que poderia fazer isso somente depois de individualizada a distribuição. Diante disso, os representantes dos funcionários solicitaram que houvesse também a contribuição patronal.

O banco afirmou que não fará, neste momento, nenhuma antecipação de contribuição, como foi sugerido na negociação, da parte patronal sobre o 13º salário de novembro de 2015.

As propostas de contribuições para a Cassi sobre acordos judiciais, acordos de CCP e CCV, inclusive a parte patronal, foram negadas veementemente pelo banco, alegando risco jurídico e impactos em futuras discussões sobre a integralização de benefícios de aposentadoria.

Novas propostas

Considerando as dificuldades colocadas pelo banco na proposta de contribuição sobre a PLR, foi proposto que houvesse, então, uma contribuição sobre o lucro líquido do BB, conforme consta na minuta de reivindicações dos funcionários.

O banco falou que a proposta é inviável por ter impacto muito alto na contabilização do valor no balanço do BB, devido à resolução da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Os funcionários questionam as justificativas do banco, uma vez que se trata de contribuição que não impacta nas contribuições futuras do BB à Cassi.

As entidades cobraram ainda que o banco faça a antecipação das futuras contribuições sobre o saldo do Benefício Especial Temporário (BET) para reforçar um pouco mais o caixa da Cassi até o final do ano, de forma a evitar situações que envolvam falta de atendimento em alguns locais.

Esta antecipação de contribuição sobre o saldo do BET não onera em nada os funcionários, uma vez que os valores já seriam descontados quando os funcionários se aposentarem.

Os representantes dos funcionários apresentaram uma lista de remunerações pagas pelo banco que não têm nenhuma contribuição para a Cassi, como os bônus dos executivos, o PDG e as indenizações do PAET. O banco afirma que tem dificuldade para atender a proposta já que os valores seriam muito pequenos, mas que vai fazer a análise.

Proposta apresentada pelos funcionários

Os representantes dos funcionários reafirmaram a proposta apresentada ao Banco do Brasil, que foi referendada pela comissão negociadora das entidades e pelos trabalhadores no 26º Congresso Nacional dos Funcionários do BB:

– Dois aportes de R$ 300 milhões, sendo um em 2015 e outro em 2016, para cobertura dos déficits até o início do projeto piloto de ampliação da Estratégia Saúde da Família e implantação das medidas estruturantes;

– aporte extraordinário de R$ 150 milhões para implantação do projeto piloto.

Para Wagner Nascimento, diretor do Sindicato e coordenador da mesa de negociações, as soluções emergenciais encontradas são importantes, mas o número de negativas do BB ainda é muito grande. “O banco insiste em querer usar a resolução da CVM para justificar tudo. Deixamos claro que temos disposição de apresentar e debater propostas, mas o banco não quer por a mão no bolso nem para questões emergenciais”, afirmou.

A mesa de negociação especifica que discute a sustentabilidade da Cassi terá continuidade em nova reunião, que deve ser agendada nos próximos dias.

 

Fonte: Sindicato dos Bancários de BH e Região com Contraf-CUT

Compartilhe: