Os trabalhadores do Banco do Brasil deram continuidade nesta terça-feira, 25, à mesa de negociações específicas com o BB. A Comissão de Empresa dos Funcionários e os representantes do banco debateram a pauta de saúde e condições de trabalho mas não houve avanços por parte do banco.

Licença saúde e retorno ao trabalho

Foi cobrada do Banco do Brasil a melhoria das condições dos funcionários em licença saúde, como a prorrogação do pagamento dos auxílios refeição e a cesta alimentação durante todo o período da licença, bem como a irredutibilidade do salário durante o período de afastamento. O banco afirmou que considera muito difícil o atendimento desta proposta. Os funcionários argumentaram que a perda dos tickets alimentação e refeição tem levado muitos funcionários a trabalharem doentes, o que agrava e prorroga os motivos do afastamento.

Os representantes dos funcionários também cobraram do BB que simplifique a folha de pagamento do funcionário licenciado e que permita o parcelamento dos débitos dos acertos do INSS, para evitar que o salário fique negativo em alguns períodos.

Funcionários oriundos de bancos incorporados

Na pauta de saúde, os destaques foram a discriminação dos funcionários oriundos de bancos incorporados e o acesso aos programas de saúde do BB. Os trabalhadores cobraram a apresentação de uma lista de todos os itens em que há impedimentos aos funcionários de bancos incorporados para a busca conjunta de soluções. Foram cobradas do banco, ainda, soluções para que os funcionários incorporados possam participar da Cassi e da Previ nas situações existentes possíveis hoje para alguns grupos.

O diretor do Sindicato e coordenador da Comissão de Empresa dos Funcionários, Wagner Nascimento, lembrou que, desde as primeiras incorporações, em 2009, o Banco do Brasil tem sempre argumentado que precisa de uma solução global para todos os funcionários incorporados no que se refere à Cassi e à Previ. “Essa solução nunca chega e tem servido de uma boa desculpa do banco para não avançar nos debates. É possível a integração nos planos de saúde e previdência de boa parte dos incorporados. O argumento dado pelo banco é que isso pode trazer mais problemas, mas isso reflete apenas o não interesse em achar soluções”, afirmou.

Cassi e Plano Odontológico

Os trabalhadores também cobraram melhorias na Cassi, como o custeio da ampliação da Estratégia Saúde da Família e apresentação de soluções na mesa específica. Foram apresentadas propostas de incremento de receitas, como percentual nos acordos de CCP e CCV e outros acordos e processos judiciais, bem como cobrado do banco que destine uma parte da PLR para a Cassi como forma de melhorar a saúde financeira da Caixa de Assistência.

Os funcionários cobraram ainda melhorias do plano odontológico e que este seja administrado pela Cassi, para gerar mais receitas e melhorar o atendimento do plano. O banco informou mudanças no atual plano odontológico e apresentou uma carta que está sendo encaminhada aos funcionários com as melhorias na BB Dental. O BB também ficou de apresentar à Comissão de Empresa a lista detalhada dos procedimentos que tiveram melhoria.

Para Wagner Nascimento, as mudanças no plano odontológico são reivindicações antigas dos funcionários, desde que o plano foi implantado, fruto de conquista da campanha salarial de 2008. “As nossas pautas de reivindicações, desde 2010, sempre cobram melhorias no plano odontológico. O fato do banco fazer em silêncio nada mais é do que uma forma de querer tirar o mérito da luta dos trabalhadores”, destacou.

Ato de gestão

Os representantes dos funcionários cobraram novamente do BB o fim das demissões e descomissionamentos por atos de gestão, quando não é dada nenhuma justificativa ao trabalhador. Os representantes dos funcionários pediram a extinção deste procecimento, que muitas vezes tem servido apenas para ameaçar os trabalhadores. O banco tem afirmado que os casos demissão e descomissionamentos são pontuais e que não vê, neste momento, a necessidade acabar com o instrumento.

“O uso do ato de gestão é uma política do banco para demonstrar seu poder de demitir os trabalhadores. O contrassenso da gestão de pessoas do BB é tanto que, no período em que cobramos mais contratações, o banco quer continuar tendo o poder de demitir. Se não é uma política deliberada, que faça o gesto de grandeza de acabar com esse instrumento”, sugeriu Wagner Nascimento.

O coordenador da Comissão de Empresa dos Funcionários destacou ainda que, tendo hoje inquéritos administrativos, aplicação do código de ética e conduta e, ainda, os ciclos avaliatórios de GDP, já existem instrumentos suficientes ao banco para fazer a sua gestão disciplinar.

A próxima rodada de negociação específica com o Banco do Brasil está marcada o dia 31 de agosto, em Brasília, e abordará os temas segurança, igualdade de oportunidades e isonomia.

 

Fonte: Sindicato dos Bancários de BH e Região com Contraf-CUT

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