O Sindicato participou, na última sexta-feira, 10 de maio, da terceira reunião entre os representantes dos trabalhadores e o Mercantil do Brasil para discutir a proposta de Acordo Coletivo de Trabalho sobre o Programa Próprio de Remuneração (PPR) de 2013. Apesar dos avanços obtidos em algumas cláusulas do acordo durante a reunião, o documento ainda privilegia alguns funcionários no pagamento do PPR do Mercantil.

Nas duas primeiras reuniões, realizadas nos dias 19 e 29 de abril, os representantes dos trabalhadores cobraram melhorias na proposta que o banco apresentou no dia 1º de abril. Entre as reivindicações, estão a ampliação do Programa de Variáveis de Negócios (PVN) para todos os funcionários envolvidos direta ou indiretamente na venda de produtos, adequação das despesas operacionais, diminuição da meta do lucro e distribuição do PPR de forma mais justa e transparente.

Na reunião do dia 10 de maio, houve avanço na alteração da cláusula terceira do Acordo, que fala sobre os elegíveis para o PPR. Passaram a ser contemplados também os trabalhadores que, por ventura, tiverem seu contrato de trabalho rescindido pelo banco, garantindo o pagamento de 1/12 por mês trabalhado ou fração igual ou superior a quinze dias.

Na cláusula quinta, que trata do adiantamento de adicional de PLR – 2% do lucro apurado no primeiro semestre de 2013 distribuído de forma linear a partir de agosto de 2013 – os representantes dos trabalhadores garantiram a possibilidade de ganho em caso de melhoria relacionada na Convenção Coletiva de Trabalho.

Em relação à meta do lucro, os representantes dos funcionários conquistaram a redução da proposta anteriormente apresentada pelo banco, de R$ 70 milhões para R$ 60 milhões. O Mercantil do Brasil modificou o valor para cumprimento das despesas administrativas, passando de R$ 137.688.730 para R$ 140.139.067. A média mensal de despesas para 2013 representa um crescimento de 13% da despesa média mensal realizada em 2012, percentual que corresponde a 100% da meta. Um crescimento de 16% corresponde a 80% da meta e um crescimento de 11% corresponde a 120% da meta.

Apesar dos avanços, o Mercantil ainda não aceitou modificar seu programa de PLR própria para contemplar todos os funcionários através da ampliação do PVN. O programa continua privilegiando alguns funcionários em detrimento de muitos outros, como os supervisores administrativos e o staff, que ainda não têm seu esforço recompensado.

Para Marco Aurélio Alves, funcionário do Mercantil do Brasil e diretor do Sindicato, o banco tem que valorizar mais o seu maior patrimônio, que são os trabalhadores. “Se o Mercantil realizasse uma pesquisa, perceberia a grande insatisfação da maior parte dos bancários, que acabam ficando de fora dos programas variáveis de negócios, mesmo sendo cobrados insistentemente para o cumprimento de metas de vendas de produtos”, ressaltou.

O funcionário do Mercantil do Brasil e diretor do Sindicato, Vanderci Antônio da Silva, alertou que o banco ainda corre o risco de acumular um enorme passivo trabalhista por não remunerar funcionários envolvidos na venda de produtos. “O programa próprio do Mercantil deveria reconhecer e remunerar o esforço de seus trabalhadores hoje, mas prefere correr o risco de pagar na Justiça amanhã”, afirmou.

O Mercantil afirma, em propaganda, que nove entre dez clientes estão satisfeitos com o atendimento, feito com todo empenho por cada bancário e bancária nas agências. Neste momento em que deveria reconhecer este trabalho, o banco age de forma injusta e privilegia apenas um segmento dos funcionários. O Sindicato repudia esta atitude desumana e exige que o RH do banco trate todos aqueles responsáveis pelo sucesso do Mercantil igualitariamente. O presidente do Sindicato, Cardoso, enfatizou que “é um absurdo que um gestor de RH do Mercantil do Brasil tenha posição tão retrógrada e injusta para com os bancários”.

Banco demite e persegue dirigente sindical

Na reunião do dia 10 de maio, os representantes dos trabalhadores exigiram a imediata reintegração do funcionário do Mercantil e diretor da Federação dos Trabalhadores em Empresas de Crédito do Estado do Paraná, Sérgio Lemos Barbosa.

O diretor foi demitido sumariamente, numa clara demonstração de perseguição antissindical praticada pelo banco e num ato de violência contra a organização dos trabalhadores por melhores condições de vida e salário.

O Sindicato, a Contraf-CUT e as outras entidades sindicais presentes na reunião repudiaram a atitude do banco e a Federação dos Trabalhadores em Empresas de Crédito do Paraná (FETEC-CUT-PR) já tomou as medidas judiciais necessárias para reverter a demissão ilegal do dirigente.

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