No dia 8 de março, as mulheres são lembradas pela sua força, coragem e capacidade de luta na busca por respeito, dignidade e igualdade de oportunidades. Muitos direitos já foram conquistados, porém, ainda há muitos a serem reivindicados. Atualmente, as mulheres ainda têm de lutar contra os retrocessos promovidos pelo governo atual para que não retirem direitos conquistados.

“No Dia Internacional da Mulher, é fundamental destacar a importância da luta contra o feminicídio e a violência contra a mulher, contra o assédio moral e sexual, por direitos, representatividade política, salários iguais e pela democracia. Bancárias de todo o Brasil seguem mobilizadas, mostrando sua união e resistência para enfrentar nossos desafios diários”, afirmou a presidenta do Sindicato, Eliana Brasil.

Mulheres na política

A luta diária que deve ser realizada pelas mulheres pode ser facilmente observada quando vemos que, mesmo após conquistar legalmente diversos direitos, muitos deles continuam não sendo cumpridos, caem no esquecimento, ou simplesmente não são efetivados.

Um exemplo é o direito ao voto. Em 1932, as mulheres conquistaram o direito de votar e passaram a ocupar maior espaço no eleitorado do país. Porém, mesmo com esse direito, até hoje, a mulher é sub-representada no Congresso Nacional.

De acordo com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), as mulheres ocupam apenas 10% dos cargos de representação na Câmara dos Deputados e 14% no Senado. O percentual é semelhante nas assembleias legislativas estaduais e até menor nas câmaras de vereadores e no Poder Executivo.

Apesar de tudo, as mulheres vêm conquistando seu espaço nas instâncias decisórias do país e à frente de importantes entidades representativas. É o caso da presidenta Dilma Rousseff, eleita duas vezes pelo voto popular e primeira mulher a governar o Brasil, e da presidente do Supremo Tribunal Federal, ministra Cármen Lúcia.

Nas entidades que representam a categoria bancária, as mulheres também têm mostrado sua força e estão à frente em importantes cargos de liderança.

“Ocupamos, hoje, a presidência dos três maiores sindicatos de bancários do país, que é o caso dos sindicatos de BH e Região, Rio de Janeiro e São Paulo, além de outras entidades. Mas temos que ampliar ainda mais essa participação, levando a garra das mulheres para as frentes de luta dos trabalhadores, partidos políticos e as diversas instâncias do movimento social organizado. Afinal, lugar de mulher é onde ela quiser” destacou Eliana Brasil, presidenta do Sindicato.

Ameaça aos direitos conquistados

Dentre todos os retrocessos promovidos pelo governo Temer, a reforma trabalhista, que entrou em vigor em novembro de 2017, é a que mais ameaça e retira direitos das mulheres. Com as novas regras, por exemplo, gestantes e lactantes podem trabalhar em local com baixa e média insalubridade.

Violência contra a mulher

A Lei Maria da Penha foi sancionada, em 2006, com o objetivo de punir com mais rigor os agressores contra a mulher no âmbito doméstico e familiar. Com a aprovação da lei, o feminicídio também passou a constar no Código Penal como crime.

A criação da lei foi uma grande conquista para o movimento feminista, mas ainda é alto o número de assassinatos de mulheres no Brasil. De acordo com dados dos Ministérios Públicos Estaduais, o Brasil registrou ao menos oito casos de feminicídio por dia, entre março de 2016 e março de 2017. No total, são 2.925 casos no país em um ano, o que mostra um aumento de 8,8% em relação ao ano anterior.

Desigualdade de oportunidades

A desigualdade de oportunidades no ambiente de trabalho prejudica cruelmente as mulheres. No setor bancário, por exemplo, a diferenciação de gênero pode ser vista pelos cargos e salários.

Segundo informações do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED) divulgadas pelo Ministério do Trabalho no dia 2 de março, as 1.283 mulheres admitidas nos bancos em janeiro de 2018 receberam, em média, R$ 3.116,41. Esse valor corresponde a 71,8% da remuneração média auferida pelos 1.316 homens contratados no período.

Constata-se a diferença de remuneração entre homens e mulheres também nos desligamentos. As 991 mulheres desligadas dos bancos recebiam, em média, R$ 5.649,80, o que representou 76,3% da remuneração média dos 956 homens desligados dos bancos no período.

A categoria bancária sempre teve papel importante nesta luta, tendo sido a primeira a conquistar uma cláusula de igualdade de oportunidades na sua Convenção Coletiva de Trabalho. A categoria é inclusive citada como exemplo pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) por esta conquista.

 

Fonte: Sindicato dos Bancários de BH e Região com Contraf-CUT

 

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