Nesta segunda-feira, 7 de abril, quando se comemora o Dia Mundial da Saúde, o Sindicato participou de ato conjunto da CUT e do Conselho Municipal de Saúde. A entidade alerta para o adoecimento de bancários e chama a atenção para o aumento dos casos de depressão na categoria, causados pela rotina estressante de trabalho nos bancos. Para milhares de trabalhadores, a imposição de metas a serem cumpridas já ultrapassou o limite da tolerância e virou problema sério de saúde.

Para a diretora de Saúde do Sindicato, Luciana Duarte Lopes,  a imposição de metas a serem cumpridas já ultrapassou o limite da tolerância e virou problema sério de saúde. “Neste dia lembramos o crescente número de adoecimento de trabalhadores e aumento expressivo de adoecimento mental dentro da categoria bancária. A exigência pelo cumprimento de metas, o assédio moral que humilha e adoece os trabalhadores e a falta de investimento em segurança são absurdos que vitimam vários trabalhadores, que chegam a se aposentarem por invalidez no auge da idade produtiva. A organização do trabalho bancário e a exigência de ritmo intenso de trabalho para aquisição de altos lucros não levam em conta a prevenção de doenças e qualidade de vida do ser humano”, afirmou.

Luciana ressaltou que “Lutamos hoje para a melhoria de qualidade vida dos trabalhadores, exigindo dos bancos investimento em prevenção de doenças, segurança e compromisso com a reabilitação de trabalhadores que voltam de um afastamento que deve ser feito de forma digna”.

Números são alarmantes

Em 2013, foram 18.671 afastamentos de bancários por problemas de saúde. Do total de auxílios-doença acidentários concedidos pelo INSS, 52,7% tiveram como causas principais os transtornos mentais e as doenças do sistema nervoso. Isso significa dizer que, de cada dez bancários doentes, cinco foram por depressão.

As doenças relacionadas à saúde mental já superam as do sistema osteomuscular e do tecido conjuntivo, as chamadas LER/Dort, que totalizaram, no ano passado, 4.589 afastamentos computados pelo INSS.

Bancários sofrem no ambiente de trabalho com o esgotamento físico e mental ao longo de jornadas extenuantes, sem pausas para descanso e pressionados por um ritmo intenso de trabalho cada vez mais acelerado. Além disso, os trabalhadores convivem com o risco de assaltos e sequestros e têm que dar conta de inúmeras tarefas.

Menos Metas, Mais Saúde

A médica sanitarista e pesquisadora da Fundacentro, Maria Maeno, aponta que as formas de gestão e administração adotadas pelos bancos causam um ambiente de trabalho adoecedor.

“Efeitos negativos de médio e longo prazo são desconsiderados em nome de resultados rápidos e é neste contexto que ocorrem as situações de humilhações e assédio moral, algumas que se tornam conhecidas por serem objetos de processos judiciais. Em nome do cumprimento de metas cada dia mais altas e de outras exigências são praticadas formas humilhantes de gestão de maneira cada vez mais disseminadas”, explica a médica.

Os bancários têm sido submetidos a uma avaliação individual de desempenho, utilizada largamente por todos os bancos, para medir quem bateu as metas impostas e expor aqueles que não conseguiram.

Tratamento inadequado

A Organização Mundial de Saúde (OMS) revela que até 2020 a depressão passará da 4ª para a 2ª colocada entre as principais causas de incapacidade para o trabalho no mundo. Estima-se que 121 milhões de pessoas sofram com a depressão, sendo 17 milhões somente no Brasil e, segundo dados da OMS, 75% nunca receberam um tratamento adequado.

“O foco da prevenção de adoecimentos e da reabilitação profissional deve ser de mudança das condições de trabalho. A saúde do trabalhador não faz parte das preocupações centrais das empresas. Esse reconhecimento exigiria mudanças nos pilares sobre os quais o trabalho bancário é organizado. A incapacidade deve ser vista em relação às exigências do trabalho, mas outro problema é que esse aspecto não é contemplado na avaliação pericial do INSS”, alerta a pesquisadora da Fundacentro.

Reabilitação Profissional

Está aberta no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) a consulta pública sobre reabilitação profissional. Até sexta-feira, dia 11 de abril, pessoas físicas e jurídicas, que estejam envolvidas com a temática, podem mandar contribuições para o projeto por meio do site do Ministério da Previdência Social.

A Contraf-CUT protocolou em Brasília, no último dia 26 de fevereiro, um requerimento endereçado ao presidente do INSS, Lindolfo Neto de Oliveira Sales, solicitando a participação dos trabalhadores nas discussões deste tema.

Entre as mudanças que o processo de reabilitação profissional pode trazer, estão os convênios exclusivos com as empresas. O INSS já vem firmando esses acordos, ferindo a legislação brasileira e internacional ao não garantir a participação dos trabalhadores, a exemplo da Convenção 159 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), que garante essa participação no seu artigo 5º. No novo projeto de reabilitação profissional do INSS, a exclusividade desses convênios ganha destaque.

Com a constante interferência dos representantes dos trabalhadores bancários, o INSS suspendeu o Acordo de Cooperação Técnica no Âmbito da Reabilitação Profissional com a Febraban em outubro do ano passado, que passava a reabilitação profissional para os bancos. Os convênios sem a participação e acompanhamento do movimento sindical e dos próprios trabalhadores só geram mais obstáculos na recuperação do trabalhador.

Mudanças no auxílio-doença preocupam trabalhadores

No requerimento enviado ao INSS, a Contraf-CUT também listou problemas que podem ser gerados pelo novo modelo de avaliação da capacidade do trabalhador, por meio da Nota Técnica de nº 04/2013/DIRSAT/INSS.

Entre as mudanças propostas, o trabalhador com afastamento de até 60 dias poderia ter o auxílio-doença concedido sem perícia médica. O atestado fornecido por qualquer médico que tenha assistido o trabalhador, da rede pública ou da rede privada, serviria de prova para o INSS conceder o benefício.

Segundo o INSS, um dos objetivos é descentralizar a concessão do auxílio-doença das mãos dos peritos médicos e dar mais rapidez para o recebimento do benefício. Mas pesquisadores da área da saúde também têm se posicionado contrários ao projeto, como a Fundacentro. Entre os riscos, menos segurados seriam encaminhados à reabilitação profissional do que atualmente, com o agravante do trabalhador ter complicações no quadro clínico e reflexos até irreversíveis.

 

Fonte: Sindicato dos Bancários de BH e Região com Contraf-CUT

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