Foto: Andre Penner/AP

 

Mais uma tragédia anunciada gerou perplexidade na última sexta-feira, 25 de janeiro. O rompimento da barragem 1 do complexo da Mina do Feijão, em Brumadinho (MG), é mais um crime ambiental e contra a vida protagonizado pela mineradora Vale, pouco mais de três anos após a queda da barragem do Fundão, em Mariana.

Milhões de metros cúbicos de rejeitos de minério despencaram da barragem, por volta das 13h de sexta-feira, atingindo a área administrativa da Vale, comunidades da região e o rio Paraopeba, na bacia do São Francisco. Até a tarde desta segunda-feira, 28, já são 60 mortes confirmadas e quase 300 pessoas ainda estão desaparecidas.

O Sindicato se solidariza com todos os atingidos e denuncia que a busca irresponsável pelo lucro e as relações promíscuas entre grandes mineradoras e o poder público estão no centro da tragédia. O atual modelo de mineração, com empresas privatizadas e multinacionais, coloca os ganhos financeiros acima de vidas humanas e do meio ambiente.

Desde 2015, inúmeras denúncias vêm sendo feitas pelo risco de rompimento de barragens do Complexo e, ainda assim, a Mina Córrego do Feijão teve sua ampliação aprovada pelo Conselho Estadual de Política Ambiental em dezembro de 2018.

É importante destacar que os acidentes ambientais e de trabalho se multiplicaram desde que a Vale foi privatizada em 1997, no governo FHC. A precarização das relações de trabalho e as terceirizações, intensificadas após a aprovação da reforma trabalhista do governo Temer, também são fatores fundamentais para compreender os riscos trazidos pelo modelo neoliberal.

Não foi por acaso que as empresas de mineração no país, capitaneadas pela Vale, impediram a aprovação de todas as propostas sugeridas pela CUT e demais centrais brasileiras sobre saúde e segurança dos trabalhadores e das comunidades locais, durante a votação do Marco Regulatório da Mineração aprovado no ano passado.

“O modelo econômico neoliberal e privatista é elogiado pelos atuais governos estadual e federal. A flexibilização de leis que protegem trabalhadores e ecossistemas está inclusive entre as propostas do atual governador de Minas Gerais e do presidente do país. Estamos vivendo mais uma tragédia anunciada, fruto da ganância sem fim, e temos que lutar para que os responsáveis sejam punidos, além de assegurar controles mais severos para impedir que a situação se repita”, afirmou a presidenta do Sindicato, Eliana Brasil.

CPI das Mineradoras

A presidenta da CUT-MG e deputada estadual eleita, Beatriz Cerqueira, defende a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar, apurar e fiscalizar a atuação das mineradoras em Minas Gerais.

Beatriz visitou as áreas atingidas pela tragédia, no sábado, 26, e destacou a irresponsabilidade da Vale. “Como uma mineradora coloca o refeitório, sua área administrativa e enfermaria na beira da barragem? Não consegui compreender como fizeram isso e como nenhum órgão fiscalizador fez nada a respeito. Como depois do que vivemos em Bento Rodrigues (Mariana) não tinha, de novo, nenhum plano de evacuação e nenhuma sirene tocou?”, questionou.

Para a presidenta da CUT-MG, é grave também o fato de que as mineradoras controlam todas as informações sobre desaparecidos e atingidos, permitindo-se a elas que construam a ideia de que o impacto foi menor do que se é efetivamente constatado. Da mesma forma, “atuam para isolar, desqualificar e criminalizar lideranças populares, comunitárias e religiosas que não aceitam se corromper e trabalhar a serviço deste sistema”, denunciou Beatriz Cerqueira.

 

Rompimento da barragem ocorreu na sexta-feira, 25 de janeiro

 

Banco do Brasil e CAIXA mostram importância dos bancos públicos

A CAIXA e o Banco do Brasil reforçaram seu importante papel como bancos públicos, a serviço dos brasileiros, com a abertura de contas para receber doações para Brumadinho e agências móveis para atendimento à população do município.

A CAIXA fará atendimento por meio um caminhão-agência a partir desta terça-feira, 29, para reforçar o atendimento bancário na cidade. A agência do banco que já existia em Brumadinho abriu uma hora mais cedo, nesta segunda, e fechou uma hora mais tarde. As agências em Brumadinho, Belo Horizonte, Betim e Contagem funcionarão também como ponto de recebimento de água, material de higiene e de limpeza.

Os dados para depósitos na conta aberta pela CAIXA para receber as doações são: Conta – 2808 / Operação – 013 / Conta poupança – 3-5 / CNPJ – 18.363.929/0001-40 (Juntos por Brumadinho). Os depósitos podem ser realizados em qualquer lotérica, autoatendimento, nas agências da CAIXA ou pela internet.

Já a agência móvel do Banco do Brasil entrou em funcionamento nesta segunda-feira, 28, e reforçará o atendimento oferecido pela agência local, que não foi afetada.

A conta corrente do BB para doações foi aberta em nome da prefeitura local para receber doações: agência 1669-1, conta 200-3 (SOS Brumadinho), CNPJ 18.363.929/0001-40. O recurso será usado para necessidades urgentes da população local afetada.

Isenção de tarifas e saque do FGTS

Para os clientes de Brumadinho, a CAIXA vai oferecer pausa especial de pagamento até 90 dias nas operações de Crédito Pessoal e Crédito Direto ao Consumidor (CDC), além de até 60 dias de carência para 1ª parcela em novos contratos. Haverá isenção de três meses também nas tarifas da cesta serviços para os correntistas.

Para as empresas da região, o banco concederá pausa de até três meses para pagamento das parcelas das operações de crédito e isenção de cesta de serviços pelo período de três meses para correntistas. No crédito habitacional, haverá pausa de até 90 dias nas prestações do financiamento imobiliário.

Os trabalhadores que tiverem residência na área afetada poderão solicitar o saque do FGTS, conforme previsto na Lei 10.878/04. O limite máximo será R$ 6.220,00 por pessoa.

 

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