Fotos: Alessandro Carvalho

 

Os trabalhos da 20ª Conferência Estadual dos Bancários de Minas Gerais foram retomados, na manhã deste sábado, 26, com a realização do painel “O novo movimento sindical”. O economista e presidente da Fundação Perseu Abramo, Marcio Pochmann, falou aos participantes sobre o atual modelo de sociedade e a importância de analisar o período que vivemos sob uma nova ótica.

Após realizar um breve panorama sobre as últimas décadas, Marcio destacou que vivemos, hoje, a era do capitalismo globalizado. Neste contexto, as grandes empresas transnacionais questionam o Estado de bem-estar social, não querem pagar impostos e não aceitam o mundo do trabalho organizado.

“Estamos sob ataque e nosso papel é resistir, nos organizar e nos contrapor. Estamos vivendo uma mudança de período, não dando continuidade a outro. Precisamos perceber isso para evitar fazermos mais do mesmo. É difícil imaginar resultados diferentes fazendo a mesma coisa”, afirmou o economista.

Para Marcio, o Brasil que vivemos hoje é muito diferente do de 30 anos atrás, quando foi promulgada a Constituição e foram reconstituídos os partidos políticos. Esta mudança de infraestrutura afeta profundamente a estrutura social e se reflete na superestrutura, formada por instituições como o Estado, sindicatos, associações de classe e igrejas.

“Hoje, temos um país fundamentalmente assentado nos serviços, vivemos um novo período e não podemos ser conservadores de um passado que não existe mais. Grande parte da classe média deixou de ser assalariada e passou a ser proprietária, virou PJ, e isto muda a cabeça das pessoas. O grande empresário do Brasil é de negócios, não temos mais uma burguesia industrial. Esta nova burguesia não tem um projeto de país e seu único compromisso é com o dinheiro”, explicou o economista.

Diante deste quadro, é necessário também fazer outro tipo de análise de conjuntura para olhar para o futuro. “Atualmente, as grandes instituições portadoras do futuro no Brasil, que aglutinam pessoas e têm estratégias de curto e médio prazo, são igrejas neo pentecostais e o crime organizado. São instituições que atuam na organização da sociedade no local em que as pessoas moram, e não onde trabalham. Neste sentido, os sindicatos perderam a natureza de fazer a luta para além do local de trabalho”, afirmou Marcio.

O economista destaca que as pessoas não buscam um diagnóstico dos problemas que vivem, mas sim a solução, uma saída. Por isso, é fundamental repensar a estrutura sindical e se essa nova sociedade é compatível com o que tem sido feito por estas entidades.

“Diante de uma classe trabalhadora precarizada, o que podemos fazer? Estamos em um impasse histórico sem saída tradicional. A eleição de 2018 é fundamental e provavelmente a mais importante da história recente do país, que definirá se iremos fortalecer a democracia ou o autoritarismo. Mas sozinha, ela não resolverá tudo. Demos passos importantes nos anos 2000, mas estamos retrocedendo muito rapidamente. Esse impasse exige reflexão para além do cotidiano e da análise de conjuntura”, destacou o economista.

Conferência Estadual

A 20ª Conferência Estadual prossegue até amanhã, 27 de maio, com a realização de mais painéis e debates sobre a atual conjuntura e o trabalho bancário. Também serão aprovadas propostas que serão levadas à Conferência Nacional dos Bancários, a ser realizada entre os dias 8 e 10 de junho em São Paulo.

 

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