Foto: Alessandro Carvalho

 

A programação da tarde deste sábado, 26, na Conferência Estadual dos Bancários de Minas Gerais, teve início com a realização de um painel sobre o futuro do emprego bancário frente às novas tecnologias. A apresentação foi realizada por Barbara Vasquez, que é técnica do Dieese da subseção da Contraf-CUT.

Com a chamada quarta revolução industrial, ou indústria 4.0, o mundo do trabalho e as relações entre trabalhadores e empresas enfrentam grandes transformações. Nos bancos, o cenário de novas tecnologias já se manifesta no crescimento das transações realizadas através de smartphones e internet banking, que já são os principais canais bancários, na abertura de agências digitais e na mudança do perfil das agências físicas.

Segundo Barbara, com a automatização e digitalização dos processos, as agências físicas passaram a funcionar como canais de serviços e de relacionamento com os clientes, sendo responsáveis por apenas 8% das transações bancárias. Já os aplicativos de smartphones já são responsáveis por mais de um terço do total de transações.

Outra ameaça ao emprego bancário é a terceirização, ainda mais flexível após a reforma trabalhista. “O Banco do Brasil já abriu agências completamente terceirizadas, em que os trabalhadores não são abrangidos pela CCT, têm jornada de 44 horas semanais e recebem um quarto do valor recebido pela categoria bancária”, explicou a técnica do Dieese.

A tendência do novo modelo de negócios é o de uma sociedade cada vez mais desagregada e desigual. “Neste cenário, ocorre a retirada de funções de atendimento e back office, modifica-se o conteúdo do trabalho, é reduzido o número de agências e são causados significativos impactos na organização sindical dos trabalhadores”, destacou Barbara.

Impactos da reforma trabalhista na CCT dos bancários

A técnica do Dieese também falou aos participantes da Conferência Estadual sobre os impactos da reforma trabalhista na Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) nacional dos bancários. Na Campanha Nacional 2018, diversos artigos da CCT estão sob ameaça, o que exigirá novas estratégias de negociação com os bancos para reverter as possíveis consequências da nova lei.

Entre os temas presentes na CCT que podem ser afetados estão cláusulas que tratam de disposições gerais, de emprego, remuneração, liberdade sindical, saúde e condições de trabalho.

“A reforma, antes de tudo, altera a hierarquia das normas que regulamentam o trabalho, que são a Constituição, as leis, as convenções coletivas e os acordos coletivos. Antes, sempre prevaleceria o patamar que fosse melhor para os trabalhadores. Agora, acordos coletivos por banco poderão valer mais que a Convenção da categoria, mesmo que isso represente perdas para os trabalhadores”, explicou Barbara Vasquez.

Na análise do Dieese, esta é uma estratégia para desconstituir as mesas nacionais de negociação, que hoje existem apenas para a categoria bancária e para os funcionários da Petrobras.

Barbara Vasquez também citou exemplos de artigos da CCT que podem ser atacados pelos bancos com amparo da reforma trabalhista. Em relação à remuneração, estão a possibilidade de negociação individual em relação ao banco de horas, a não incorporação de gratificações e a flexibilização total das regras para a PLR, sendo definido apenas que ela poderá ser pagar em até três vezes.

“Teremos que incluir antídotos aos artigos da reforma, na Convenção Coletiva de Trabalho, para proteger os direitos da categoria e reverter os seus efeitos. É importante ressaltar, também, que vivemos uma conjuntura completamente diferente das campanhas anteriores, com queda no número de categorias que garantiram aumento real e também queda no número de negociações depois da implantação da reforma, por não haver entendimento entre os trabalhadores e os patrões após a apresentação de pautas extremamente regressivas por parte das empresas”, afirmou Barbara.

Outro tema destacado pela técnica do Dieese foi o fim da ultratividade. Isto significa que, no dia 1º de setembro, se não houver acordo fechado com os bancos, os direitos da categoria estarão em um vácuo jurídico.

“Nossa estratégia terá que ser mais dura. A reforma trabalhista e a onda tecnológica visam desagregar todo tipo de vida social e desconstituir instituições, sobretudo as de proteção ao trabalhador. Querem desagregar a categoria e, por isso, temos que defender a CCT nacional. Quanto mais tentarem nos desagregar, mais temos que responder nos agregando, com unidade. Será uma negociação muito difícil, mas os bancos também estarão pisando em um terreno de incertezas”, ressaltou Barbara.

 

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