Dando continuidade ao segundo dia de Conferência Nacional, neste sábado, 29, delegadas e delegados participaram do painel “Defesa do emprego frente às novas tecnologias”. O evento prossegue até este domingo, 30 de julho, quando os participantes aprovarão um Plano de Lutas.

Com apresentação de dados do Dieese pela economista Vivian Machado, bancárias e bancários puderam analisar o crescimento da utilização das plataformas digitais pelos bancos em detrimento das transações realizadas em agências físicas. As iniciativas de digitalização, com novos modelos de trabalho propostos pelas instituições financeiras, afetam diretamente o cotidiano de bancárias e bancários.

Além de ameaçar o emprego da categoria, o que já se manifesta nos milhares de cortes de postos de trabalho promovidos pelos bancos, as mudanças afetam diretamente as relações e as condições de trabalho. Análise do Dieese também mostra que, no período de um ano (de junho de 2016 a junho de 2017), foram fechadas 987 agências bancárias no Brasil, deixando clara a tendência de redução.

Diante deste cenário que parece irreversível, o professor da Faculdade 28 de agosto, Moisés Marques, analisou que é possível encontrar caminhos. Para ele, a área financeira segue modismos relacionados à tecnologia, mas é possível conscientizar os trabalhadores e a população sobre os riscos atrelados a estas mudanças.

Moisés falou sobre a atual geração de jovens, que são os novos clientes dos bancos. Os chamados “millenials” são nativos digitais, multitarefas por excelência, não se interessam tanto em ter carro próprio e utilizam a internet em todos os setores da vida.

Porém, estas novas tecnologias estão atreladas à precarização do trabalho. Sob o discurso da independência do trabalhador, as empresas tentam encobrir um retrocesso. Neste novo padrão, os direitos são meros detalhes.

Para Moisés, é preciso mostrar à sociedade os riscos trazidos por estas inovações. Entre eles, estão a falta de regulação, problemas com segurança e privacidade dos dados, riscos de fraudes e as falhas dos próprios sistemas automatizados.

O professor destacou que é possível e fundamental à categoria se organizar e se mobilizar para enfrentar estas ameaças, inclusive através dos meios digitais.

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