Foto: Jailton Garcia – Contraf-CUT

 

 

Delegadas e delegados deixaram claro na 20ª Conferência Nacional dos Bancários: é preciso construir a unidade e defender a democracia para retomar o projeto de desenvolvimento com inclusão social no Brasil. No painel “O Brasil que Queremos”, o presidente da CTB, Adilson Araújo, o presidente da CUT, Vagner Freitas, e o coordenador nacional do MTST e pré-candidato à presidência pelo PSOL, Guilherme Boulos, chamaram os trabalhadores para construir um projeto de país soberano com a união dos setores progressistas.

Adilson Araújo destacou que é preciso combater a agenda ultraliberal imposta aos brasileiros após o impeachment sem crime de responsabilidade de Dilma Rousseff. “O que se viu depois do golpe foi a aprovação da emenda 95, que impôs uma série de dificuldades com o congelamento público que afeta também os investimentos privados. Além disso, foi aprovada a reforma trabalhista, com mais de 100 pontos de mudanças na CLT e a destruição dos direitos dos trabalhadores”, explicou.

Por isso, para o presidente da CTB, a elaboração de uma plataforma comum é uma exigência, uma necessidade, uma questão imperativa. Além disso, é importante colocar à frente a luta pela liberdade de Lula, que foi preso em um processo de exceção e sem provas.

“Defender a democracia, a soberania e os direitos da classe trabalhadora são questões centrais e não vejo outra forma que não seja unindo as esquerdas. Revogar a reforma trabalhista é uma questão central. Temos que entrar em campo e fazer a disputa”, afirmou Adilson.

Já Guilherme Boulos reafirmou que Temer destruiu a capacidade de investimentos do Brasil e, por isso, um governo para as maiorias deve ter o compromisso de convocar um plebiscito pela revogação de todos esses retrocessos.

“Nós nunca tivemos uma democracia plena e completa no Brasil. Ela nunca chegou nas periferias. A democracia política, para ser de verdade, tem que estar sustentada em uma democracia social e econômica. Nossa democracia, conquistada com lutas, está se esvaindo de diversas maneiras, com violência política e um clima de intolerância propagado por gente como Jair Bolsonaro, que explora o medo e o converte em violência”, destacou Boulos.

Em relação à prisão de Lula, o coordenador do MTST alertou que nenhuma diferença política pode fazer que as pessoas sejam coniventes com a injustiça. “É por isso que estivemos no apartamento do Lula em São Bernardo, estivemos com ele naqueles dias fatídicos no Sindicato dos Metalúrgicos. Tenho orgulho da ação que o MTST fez para desmontar a farsa no tríplex do Guarujá. Para tomar lado não é necessário ser eleitor do Lula ou militante do PT, basta compreender o que essa prisão significa para a democracia brasileira”, afirmou.

Segundo Boulos, “é preciso enfrentar decididamente os privilégios dos mais ricos. É preciso regular o sistema financeiro nesse país, acabar com a farra dos bancos privados. Não é possível que o Brasil continue aplicando taxas de juros das mais caras do mundo. Para isso, os bancos públicos têm papel fundamental e condições de intervir no mercado, reduzir o spread bancário e levar isso até as últimas consequências, sem vacilações”.

O presidente da CUT, Vagner Freitas, também destacou a importância da unidade e utilizou seu espaço no painel para ler para delegadas e delegados a carta-manifesto escrita por Lula em Curitiba, divulgada nesta sexta-feira, 8 de junho. No texto, o ex-presidente defende a retomada do projeto de inclusão implantado em seu governo e o combate aos retrocessos impostos pelos golpistas.

Ao final do painel, representantes de todas as forças políticas presentes na Conferência Nacional falaram aos participantes e reforçaram a disposição de luta e de união para garantir um país mais justo, com igualdade e esperança no futuro.

Programação

Neste domingo, 10 de junho, bancárias e bancários encerrarão a Conferência com o debate de propostas e a aprovação da minuta de reivindicações da categoria para a Campanha Nacional 2018.

Além disso, serão apresentados os resultados da Consulta Nacional e a mídia da Campanha, produzida pelo Coletivo de Comunicação da Contraf-CUT.

 

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