A pandemia de Covid-19 impôs a paralisação de muitas atividades produtivas, provocando uma rápida e intensa recessão econômica que gerou, inclusive, o fechamento de empresas e o crescimento do desemprego, que já era alto. Mais uma vez, a população negra foi quem sofreu os maiores impactos.

Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD-C) trimestral, realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que a taxa geral de desocupação é de 13,3%. Entre os pretos, alcança 17,8%. Já considerando apenas os brancos, é de 10,4%.

“Nesta crise, a população negra foi ainda mais afetada. Os dados mostram que a renda média da população negra representa apenas 56,2% da recebida pelos brancos. Há quem fale que é devido à qualificação profissional. Mas, mesmo com ensino superior, negros e negras ganham, em média, menos do que os não-negros. Não tem nada a ver com qualificação profissional. É racismo mesmo”, observou Almir Aguiar, secretário de Combate ao Racismo da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT).

Conforme apontam dados dos Censos da Diversidade Bancária, realizados em 2008, 2014 e 2019, há baixa proporção de negras e negros no sistema financeiro e estes bancários recebem, percentualmente, menos que seus colegas não-negros. Além disso, a cor da pele é um obstáculo para a ascensão profissional. Aos negros, são dados cargos de menor remuneração e que não envolvem atendimento ao público.

“É fundamental que os bancos contratem mais trabalhadores negros como forma de diminuir estas desigualdades e avançar para um ambiente justo e sem discriminação”, concluiu Almir Aguiar.

 

Fonte: Sindicato dos Bancários de BH e Região com Contraf-CUT

 

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