Dando início às discussões deste sábado, 18, na 22ª Conferência Nacional dos Bancários, os trabalhadores trataram da situação econômica do Brasil durante a pandemia e as expectativas para o próximo período. A economista e professora do Instituto de Economia da UFRJ, Esther Dweck, analisou o cenário e apresentou informações para subsidiar as discussões dos bancários.

Segundo a economista, a atual previsão do mercado financeiro é de queda de 6,5% do PIB em 2020. Porém, o Instituto de Economia da UFRJ trabalha com projeções que estimam que o Produto Interno Bruto pode despencar até 11% em um cenário pessimista.

Esther explicou que, de acordo com as previsões, haveria redução de 8,2 milhões de empregos no país no cenário de queda de 6,5% no PIB. Já no cenário de redução de 11%, o desemprego atingiria mais 14,7 milhões de brasileiros.

Informalidade

A economista esclareceu que o a situação do emprego já vinha de um cenário difícil no Brasil. Até 2014, havia um crescimento do emprego formal e a redução da informalidade. Porém, após a crise de 2015, este cenário se inverteu e, desde 2017, só o trabalho informal apresentou crescimento. Para Esther, isto demonstra que o país já enfrentava um grave problema de geração de emprego.

Com a pandemia, tanto o setor formal quanto o informal apresentaram queda. Porém, devido à natureza da informalidade, sem garantias trabalhistas, estes foram os primeiros trabalhadores afetados. Já o setor formal foi relativamente protegido com as medidas da MP 936, com a suspensão de contratos ou a redução das jornadas.

Estima-se que, agora, 12 milhões de pessoas já perderam o emprego ou tiveram redução ou suspensão de seu contrato de trabalho.

Medidas econômicas

A economista da UFRJ explicou que o governo tem colocado a queda da taxa básica de juros (Selic) como a principal medida econômica para recuperar a economia. Porém, esta diminuição sequer tem repercutido no efetivo aumento do financiamento para as pessoas e empresas. Neste cenário, o Comitê de Política Monetária (Copom) avalia ainda que é preciso prosseguir na agenda de reformas e ajustes e que questionamentos a estas políticas podem levar à elevação da Selic.

Esther ressaltou que o atual governo está fazendo uma política fiscal grave que vai comprometer seriamente a capacidade de recuperação da economia. Na contramão do mundo após a pandemia, o governo brasileiro insiste no discurso da austeridade e do corte de gastos. Esta política se ancora em reformas como a da Previdência, na manutenção do teto de gastos, em privatizações e na precarização dos contratos de trabalho.

Para a economista da UFRJ, o caminho para uma economia inclusiva e sustentável é outro. Um exemplo foi o que ocorreu nos Estados Unidos após a Segunda Guerra Mundial, quando houve forte atuação do Estado para recuperar a economia. O investimento público levou a economia ao crescimento e isto, inclusive, diminuiu a dívida pública em relação ao PIB. Da mesma forma, governos de todo o mundo tiveram que promover investimentos públicos para a superação da crise de 2008.

Esther destacou que, na atual crise do Brasil, é preciso romper o ajuste fiscal cíclico e destrutivo, estabelecendo um novo projeto de desenvolvimento.

Isto inclui uma reforma tributária progressiva, que taxe os mais ricos e aqueles que pagam hoje relativamente menos impostos, um novo pacto federativo e a revogação do teto de gastos (EC 95), que impede a atuação do Estado na recuperação da economia. “Se queremos uma economia para todos, precisamos que o Estado atue e, por isso, precisamos de uma grande mudança no regime fiscal brasileiro”, afirmou Esther Dweck.

 

Fonte: Sindicato dos Bancários de BH e Região

 

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