O pagamento da segunda parcela da Participação nos Lucros e Resultados (PLR), creditado na madrugada da sexta-feira, 31 de março, gerou revolta entre os empregados da CAIXA em todo o país. Os que têm salários menores receberam, em média, de R$ 200 a R$ 300, quantias simbólicas diante da expectativa da categoria e dos valores pagos nos últimos anos.

O problema, porém, não está no modelo adotado. A PLR, como é paga atualmente na CAIXA, é uma importante conquista dos empregados. Ela é composta pela regra básica Fenaban, prevista na Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) 2016/2018 dos bancários, correspondente a 90% do salário mais R$ 2.183,53, limitado a R$ 11.713,59; parcela adicional, também presente na CCT, que representa 2,2% do lucro líquido do banco dividido pelo número total de empregados em partes iguais, até o limite individual de R$ 4.367,07; e a PLR Social, equivalente a 4% do lucro líquido, distribuídos linearmente para todos os trabalhadores. O acordo coletivo conquistado pelos empregados garante, no mínimo, uma remuneração base para todos, independentemente do lucro do banco.

Na avaliação das entidades que representam os empregados, o que está em jogo é o futuro e o papel da CAIXA. O lucro de R$ 4,1 bilhões em 2016, bem abaixo da projeção de R$ 6,7 bilhões, mostra que o problema é mais grave. Fica clara a intenção do governo de diminuir o papel do banco, assim como ocorreu no governo FHC na década de 1990.

O plano anunciado, no dia 28 de março, pelo presidente da CAIXA endossa o temor. Segundo Gilberto Occhi, o objetivo é fechar de 100 a 120 agências. Ele também informou a intenção de criar empresas para cuidar das áreas de habitação e loterias. A direção do banco também estuda a viabilidade de venda da área de loterias instantâneas, a Lotex, assim como a oferta inicial de ações (IPO, na sigla em inglês) da Caixa Seguridade.

Empregados não podem ser penalizados

A mobilização dos empregados é o único caminho para barrar o projeto de redução da CAIXA. A estratégia do governo de enfraquecer este importante banco público passa, obrigatoriamente, pela desvalorização dos trabalhadores. Um exemplo é a proposta de alterar o modelo de custeio do Saúde Caixa, o que pode inviabilizar o plano financeiramente, jogando a culpa da má gestão para os empregados.

Rumo à Greve Geral

A política que visa reduzir o importante papel da CAIXA segue a linha dos ataques diários do governo Temer às conquistas e direitos dos brasileiros. Ela vem acompanhada da sanção presidencial ao projeto de terceirização, que retira direitos e enfraquece a organização dos trabalhadores, da reforma trabalhista, que tramita no Congresso e visa destruir a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), de cortes em benefícios e programas sociais, assim como a extinção completa de alguns deles, como é o caso do Ciência Sem Fronteiras.

Trabalhadoras e trabalhadores em todo o país se mobilizam contra esta agenda perversa e realizaram, nos dias 15 e 31 de março, grandes manifestações em todo o país. Em Belo Horizonte e região, o Sindicato vem denunciando estes ataques do governo e conscientizando a população sobre a importância da luta nas ruas para impedir retrocessos.

Durante este mês, diversas atividades e atos serão realizados em todo o Brasil para preparar uma grande Greve Geral, já marcada para 28 de abril. A resistência nas ruas é a principal arma dos trabalhadores no enfrentamento à pauta do desmonte e, por isso, a mobilização é fundamental.

 

 

Fonte: Sindicato dos Bancários de BH e Região com Fenae

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