A votação do projeto de lei do Senado (PLS) 555 foi adiada novamente nesta quarta, 9, após pressão das entidades que defendem as empresas públicas brasileiras. Essa forte mobilização, que teve início no ano passado, já conseguiu a prorrogação por cinco vezes, além de forçar mudanças no texto original a partir da elaboração de um substitutivo e, mais recentemente, da entrada do governo federal nas negociações para tentar elaborar um acordo.

Essa terceira versão do projeto, que mescla o substitutivo com o original, não foi ainda oficialmente apresentada. “Sabemos apenas que traz avanços, mas também que há a manutenção de pontos críticos. Não podemos fazer especulações. O que podemos afirmar é que há itens que não vamos aceitar pelo caráter privatista, como é o caso da transformação das empresas públicas em sociedades anônimas ou do impedimento de que trabalhadores participem da direção das empresas”, aponta a coordenadora do Comitê Nacional em Defesa das Empresas Públicas, Maria Rita Serrano.

A nova votação do PLS 555 está marcada para 15 de março, e a orientação do comitê é de que, até lá, sejam intensificadas as ações contra o projeto nas categorias, municípios e estados. “Dia 15 voltaremos a Brasília. Foi essa pressão que fizemos que garantiu o adiamento da votação até agora e mudanças no texto original. Por isso temos que intensificar cada vez mais nossas ações”, destacou Rita.

Ministros

Na manhã desta quinta-feira, 10, Maria Rita e o presidente da Fenae, Jair Pedro Ferreira, participaram de encontro com os ministros Ricardo Berzoini (secretaria de Governo) e Jacques Vagner (Casa Civil). A reunião contou com representantes dos movimentos que integram a Frente Brasil Popular e teve como tema central as chamadas “pautas-bomba” em trâmite no Congresso Nacional.

Os representantes do Comitê Nacional em Defesa das Empresas Públicas listaram aos ministros os problemas do projeto privatista e cobraram compromissos. Os ministros se mostraram sensíveis à questão e concordaram com os riscos do PLS 555 e seu impacto para o país.

Apesar do comprometimento em somar esforços para evitar a aprovação, os ministros ressalvaram que há grandes empecilhos nesse enfrentamento que não podem ser ignorados na atual conjuntura, como a correlação de forças no Congresso, a dificuldade em obter o apoio da maioria, a posição da grande mídia e os ataques intensos e constantes que visam fragilizar o governo da presidenta Dilma Rousseff.

Lançamento do Comitê Estadual

Nesta quinta-feira, 10, os trabalhadores de Minas Gerais lançam oficialmente o Comitê Estadual em Defesa das Empresas Públicas, que já está em atuação e visa fortalecer a luta contra o PLS 555, unindo diversas categorias e movimentos sociais.

O evento ocorrerá na sede do Sindicato dos Bancários de BH e Região às 18h.

Assista, abaixo, ao vídeo em que a presidenta do Sindicato, Eliana Brasil, convida todas e todos para o lançamento:

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