A primeira negociação específica do BB da Campanha Nacional 2012 que ocorreu  nesta segunda-feira, dia 13 de agosto entre o Comando Nacional dos Bancários e a representação do banco,  em Brasília, não apresentou avanços. Logo no início da reunião, o diretor de relações com funcionários e entidades patrocinadas do Banco do Brasil, Carlos Eduardo Leal Neri, apressou-se em lembrar que a instituição, por ser globalizada, está inserida na crise financeira internacional.

Em resposta, a representação dos funcionários afirmou que desde 2009, os bancos brasileiros estão apresentando lucros recordes, sendo que a inadimplência está caindo e o índice é muito pequeno no BB.

Jornada de 6 horas para todos

A primeira reivindicação apresentada para o tema emprego e condições de trabalho foi o cumprimento da jornada legal de 6 horas sem redução de salário, considerada prioridade para os bancários do BB. Ela foi negada novamente pelos representantes do banco. O BB reafirmou que não vai negociar a implantação da jornada de 6 horas para todos os comissionados sem redução de salários.

A instituição já havia dito em julho que a jornada de 6 horas é tema de Plano de Comissões e que isto é estratégico e não discute em mesa de negociação. Naquela negociação, o BB havia ressaltado que não debate questões ligadas ao plano de metas, arquitetura organizacional e de remuneração da empresa.

Respeito e seriedade nas negociações

Os representantes dos funcionários fizeram um apelo para que os negociadores do banco analisem com respeito e seriedade a pauta específica de reivindicações entregue à instituição em 1º de agosto. Com 50 itens, a minuta é o resultado de um amplo e democrático processo e inclusivo de consulta aos bancários e bancarias de todo o país. O texto final foi deliberado no 23º Congresso Nacional dos Funcionários do BB.

Os temas debatidos nesta rodada versaram sobre combate ao assédio moral, fim da terceirização e aumento nas dotações das dependências, igualdade de direitos para os funcionários oriundos de bancos incorporados (Cassi e Previ para todos), melhorias nas ausências autorizadas, melhoria no plano odontológico, fim da perda de função e irredutibilidade de salário na volta das licenças-médicas, segurança bancária, volta do pagamento das substituições e ampliação dos direitos dos delegados sindicais.

A negociadora do BB, Áurea Faria Martins, ficou de analisar as reivindicações do funcionalismo e trazer as respostas nas próximas rodadas de negociações.

A CEBB está trabalhando com a metodologia de apresentar todas as reivindicações deliberadas pelo funcionalismo. A estratégia é importante porque as propostas são justas e a expectativa é que a empresa apresente propostas em todos os temas.

Na avaliação do Comando Nacional, a crise financeira internacional não atingiu o sistema financeiro brasileiro que continua sendo considerado um dos mais lucrativos e sólidos do mundo. “Onde está a crise enfrentada pelos bancos brasileiros?”, foi o contraponto dos dirigentes.

Diante desse frágil argumento utilizado logo na primeira negociação específica com o BB  é necessário que  os trabalhadores intensifiquem a mobilização e fiquem atentos com as notícias divulgadas por outros meios que não sejam os dos trabalhadores, inclusive em relação ao banco.

 

Para Wagner Nascimento, diretor do Sindicato que representa a Fetraf-MG na mesa de negociações, o processo que se inicia será muito difícil considerando a postura inicial do banco na mesa específica. “O banco reafirmou que não negociará 7ª e 8ª horas por entender ser este um instrumento de gestão, mas se esquece que este é um tema da maior importância nesta campanha salarial. O tema jornada de 6 horas beneficia os cargos técnicos e também os demais comissionados por abrir a discussão do plano de comissões do BB”, completa.
Segundo Wagner, outro ponto que a mobilização pode trazer é a entrada de caixas e escriturários na carreira de mérito, com retroatividade a 1998 como nos demais comissionados.”Todos os funcionários, principalmente os comissionados devem começar a preparar uma grande mobilização para arrancarmos uma proposta sobre a jornada, melhoria na carreira e combate ao assédio moral” finalizou.

Veja as principais reivindicações específicas do funcionários do BB

> Melhorias no Plano de Carreira e Remuneração.
> Negociação do Plano de Comissões.
> PLR sem vinculação com o programa de metas Sinergia.
> Jornada de 6 horas para todos, sem redução do salário.
> Fim das PSO e volta dos caixas e gerentes de serviços para as agências.
> Cassi e Previ para todos, sem redução de direitos.
> Remoção automática para o preenchimento de todas as vagas de escriturário.
> Acabar com o truque da direção do BB de enganar os clientes e a sociedade com o “Bom pra Todos”.
> Delegados sindicais para todas as dependências do banco.
> Fim do voto de Minerva na Previ.
> Assinatura do Protocolo de Prevenção de Conflitos e revisão dos Comitês de Ética.
> Fim dos descomissionamentos e seleção interna para promoção em todos os cargos.

 

 

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