Os ataques à CAIXA e aos seus empregados não cessam. O mais recente ocorreu nesta segunda-feira, 17, quando a direção do banco divulgou medidas relacionadas à reestruturação que preveem a extinção de filiais e a migração de trabalhadores, entre outras. Outra mudança foi a realizada no normativo RH 205, ampliando o programa Gestão de Desempenho de Pessoas (GDP) para todos os bancários e bancárias com função.

Também nesta segunda começou o prazo para aderir ao Programa de Desligamento Voluntário Extraordinário (PDVE), cujo anúncio de reabertura ocorreu na sexta-feira, 14. O objetivo é reduzir o quadro de pessoal em até 5.480 empregados. Somados aos cerca de 4.600 que se desligaram no primeiro semestre de 2017, poderão ser 10 mil trabalhadores a menos nas unidades de todo o país, em um prazo de poucos meses.

“Está mais escancarado, a cada dia, o projeto em curso para desmontar a CAIXA, que chegou a ter 101 mil empregados em 2014 e agora terá menos de 90 mil. Com menos trabalhadores, agências e áreas meio são fechadas. Quadro de pessoal e estrutura menores resultam em atuação menor da empresa. E tudo isso justifica novas reduções e demissões. No final desse círculo vicioso, acaba-se com um banco forte e comprometido com o país e os brasileiros. É a volta do projeto da década de 90”, aponta o presidente da Fenae, Jair Pedro Ferreira.

De acordo com a mensagem enviada aos empregados, as mudanças que integram o processo de reestruturação estão concentradas nas Vice-Presidências de Logística (VILOG), Governo (VIGOV), Habitação (VIHAB), Fundos de Governo (VIFUG), Finanças e Controladoria (VIFIC), Gestão de Pessoa (VIPES) e Tecnologia da Informação (VITEC). Processos relacionados a FGTS, repasses, programas sociais e habitação, justamente entre os mais demandados pela população, estão entre os que serão impactados diretamente.

Dionísio Reis, coordenador da Comissão Executiva dos Empregados (CEE/Caixa), observa que a direção da CAIXA se comprometeu a discutir reestruturação na mesa permanente antes de qualquer implementação. “Não houve negociação com os representantes dos trabalhadores, o mesmo em relação à volta do PDVE. A estratégia é clara: gerar um clima de terror nas unidades a fim de que mais colegas decidam sair do banco. Já solicitamos uma reunião para tratar desses e outros assuntos com a empresa”, afirma.

Rita Serrano, coordenadora do Comitê Nacional em Defesa das Empresas Públicas e representante dos empregados no Conselho de Administração da CAIXA, avalia que o projeto do atual governo é privatizar as empresas públicas. “No caso da CAIXA, o modelo passa pelo fatiamento, com privatização das operações, seguros, loterias, cartões. O Tesouro afirma que não irá capitalizar o banco, e em consequência a CAIXA diminuirá o crédito e os investimentos no desenvolvimento do Brasil. Ampliar os cortes na estrutura em RH estão dentro dessa lógica. Vamos arregaçar as mangas e lutar sem trégua”, garante.

 

Fonte: Sindicato dos Bancários de BH e Região com Fenae

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