Foto:Guina Ferraz/Contraf-CUT

 

Os representantes  dos Funcionários do Banco do Brasil realizaram nesta quinta-feira 4, em Brasília, a primeira Mesa Temática Sobre Forma de Cobrança de Metas com a direção do BB, conforme acertado no último acordo coletivo.

A funcionária do BB e diretora do Sindicato, Luciana Bagno, representou a FetrafI-MG. O Banco do Brasil foi representado na mesa pela Diref (Diretoria de Relacionamento com os Funcionários), Dired (Diretoria de Distribuição) e pela Disap.

Os assuntos da Mesa Temática foram amplamente debatidos nos locais de trabalho durante a campanha salarial e também agora, para colher os principais problemas apontados pelos bancários no cotidiano de cumprimento de metas e a forma como são feitas as cobranças.

 

Metas X Orçamento

Os temas mais debatidos foram a cobrança excessiva via mensagens de textos SMS e whatsapp, onde além da cobrança dos resultados os administradores ainda cobram resposta das mensagens enviadas com cobranças extra.

 

Sinergia

Os trabalhadores denunciaram um número excessivo dos chamados “desafios diários”, onde a soma das metas é maior do que o orçamento inicial, com impacto da realização extra no orçamento do ano seguinte em função da série histórica. Os funcionários reclamam também da constante reorçamentação de metas durante o semestre.

 

Metas X GDP

Mais uma vez os representantes dos funcionários se posicionaram contra as metas na Gestão de Desempenho Profissional (GDP), relatando novos problemas na pressão aos bancários, pois muitos administradores estão fazendo anotações incluindo metas referentes aos desafios.

Foi também relatado um desvirtuamento do TAO-Sistema de Seleção, uma vez que estão usando as metas diárias como critérios de seleção. Em muitas superintendências, os gerentes regionais cobram “alinhamento” em relação aos desafios em detrimento da meta já alcançada, gerando pressão abusiva sobre os funcionários.

 

Metas X ranking

A representação do funcionalismo denunciou ainda que a ferramenta PIN (Painel de Informação Negocial) disponível na intranet do BB é uma forma disfarçada de ranqueamento, uma vez que está acessível a qualquer funcionário com filtros de ranking.

 

Gerentes gerais e superintendências

Também foi apontado nas superintendências estaduais e regionais um excesso de audioconferências e também a desvalorização do gerente geral, que alega não ter como se planejar, já que o que a meta acordada com a equipe se altera toda hora, em função das constantes mudanças de direcionamento exigidas pela regional.

Essas constantes alterações têm gerado excessos de cobrança e assédio que muitas vezes causam adoecimento, gerando afastamentos por licença-saúde. Muitas agências estão com vários claros na dotação do número de funcionários.

 

Valorização da gerência média

Dentro das discussões da mesa, também foi abordada a valorização da gerências médias nas questões salariais, onde foram apontadas reclamações quanto à remuneração dos gerentes do Carteirão (carteiras mista de PF e PJ) e os gerentes de relacionamento Personalizado 1.

 

Contratações

Os trabalhadores cobraram do banco as novas contratações acordadas na campanha salarial. O banco apresentou o número de 956 novas convocações com um total de 304 posses. Explicou que a maioria ainda está em fase de documentação para ser empossada. Os funcionários cobraram agilidade nas posses para que se cobra mais rapidamente os claros nas agências.

“Essa foi uma mesa bastante produtiva, onde os problemas foram apresentados com clareza e propriedade pelos funcionários e houve da parte do banco um compromisso em debater francamente a forma como as metas são cobradas dentro da empresa”, avalia Wagner Nascimento, coordenador da Comissão de Empresa. “É importante a participação da gerência média na construção dessas mesas, pois podemos a partir de agora resolver os excessos e consequentemente melhor a condição de trabalho dos funcionários.”

Foi importante a disposição da Dired nos debates, já que foi a primeira mesa com essa diretoria depois de muitos anos, acrescenta Wagner.

 

Continuidade da mesa

Os funcionários e o banco acertaram que a Mesa Sobre Cobrança de Metas continuará em março de 2015 para a ampliação do debate interno do banco com as questões apresentadas e também para ampliar o debate dos sindicatos com os funcionários nos locais de trabalho.
A diretora do Sindicato, Luciana Bagno, que representou a Fetrafi-MG na Mesa, avaliou que a discussão foi produtiva, pois  contemplou os maiores e principais problemas vividos pela gerência média. “Debatemos questões importantes como, por exemplo, as constantes cobranças de “alinhamento” com base nos desafios lançados pelas regionais, muitas vezes, em detrimento do sinergia da carteira. O que se percebeu durante a mesa é que existe um descompasso entre as diretrizes colocadas pela diretoria e o que de fato se pratica nas agências.  Esperamos avanços nas questões ali tratadas e reflexos no dia-a-dia do bancário”, ressaltou.

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