Na retomada da mesa temática de Igualdade de Oportunidades em 2014, realizada nesta terça-feira, 18, em São Paulo, representantes dos bancários definiram com a Fenaban os últimos encaminhamentos para a realização do II Censo da Diversidade, que será aplicado de 17 de março a 25 de abril em todo o país. Também foram discutidas as reivindicações dos trabalhadores e trabalhadoras com deficiência e propostas para a promoção da igualdade racial no sistema financeiro

O calendário das mesas temáticas para o ano de 2014 está pré-agendado. Nesses encontros, os representantes dos bancários farão o acompanhamento do II Censo até a divulgação dos resultados, além de averiguar se os bancos estão efetivamente assegurando condições igualitárias na contratação e na ascensão laboral de todos os trabalhadores, independente de sexo, gênero, raça/cor, etnia, se LGBT ou pessoas com deficiência.

Conquista da Campanha Nacional 2012

O II Censo foi uma conquista do processo de mobilização e negociação da Campanha Nacional dos Bancários 2012. O Comando Nacional, coordenado pela Contraf-CUT, arrancou o compromisso da Fenaban, com planejamento em 2013 e realização em 2014, conforme estabelece a cláusula 47ª da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT).

O universo de participantes será de cerca de 486 mil bancários, que corresponde a 98% dos funcionários de 19 bancos. A participação de todos é essencial para que sejam definidas políticas de igualdade e inclusão nos bancos.

Os representantes dos bancários também propuseram a inclusão de uma pergunta relacionada ao Plano de Cargos e Carreiras, com o objetivo de verificar os critérios técnicos exigidos para a ocupação de cargos e funções. Porém, a proposta não foi acatada pela Fenaban, o que revelou a pouca transparência na política de ascensão profissional, com critérios subjetivos para a definição da ocupação dos cargos e funções.

Todos os bancários, inclusive os licenciados por motivos de saúde, maternidade e mandato sindical que estão na base de cadastro da RAIS, poderão responder as perguntas do II Censo, assim que o questionário ficar disponível no hotsite da Febraban.

Inclusão da população LGBT e a luta pela igualdade

A inclusão de uma questão sobre a população LGBT no II Censo abre inúmeras possibilidades de diálogo, com vistas a romper com as barreiras da indiferença, do silêncio e da dominação simbólica que vem cercada de piadinhas, brincadeiras, apelidos, insinuações e expressões de insulto que perpetuam a homofobia. Também derruba o falso mito do “homem de verdade”, discurso que serve somente para perpetuar as discriminações de cargas múltiplas.

Lutar pela igualdade significa eliminar todas as formas de preconceito e discriminações, implica por fim a homofobia e punir exemplarmente agressores e assassinos.

Fenaban desrespeita trabalhadores com deficiência

Na reunião, os dirigentes sindicais apresentaram à Fenaban a demanda do abono de ausência para a manutenção de órtese e próteses, a exemplo do que já ocorria no Banco do Brasil e no Santander. Na Campanha Nacional 2013, o BB garantiu esse direito aos trabalhadores com deficiência , conforme assegura o inciso XI da cláusula 14ª do acordo coletivo: ” Ausências para PCD – abono das horas de ausências, durante jornada de trabalho, para os funcionários com deficiências, para aquisição, manutenção ou reparo de ajudas técnicas (cadeiras de roda, muletas etc.), com limite de uma jornada de trabalho por ano”.

No entanto, a Fenaban negou o direito para todos os bancários, dizendo que depois de consulta aos RHs dos bancos não viu a necessidade de garantir esse direito aos trabalhadores com deficiência. O representante dos banqueiros disse que não pretende convencionar algo desse porte e que os bancos já têm abertura para fazer essa manutenção, conforme prevê a legislação por meio de atestados médicos.

Seminário nacional sobre inclusão da população negra

Ainda foi proposta a realização de um seminário nacional para tratar e aprofundar o debate sobre a inclusão da população negra no setor bancário, mas a mesma não foi acatada pela Fenaban.

Os bancos disseram que a reivindicação deveria ser remetida para a Campanha Nacional 2014, mostrando mais uma vez sua resistência em realizar um debate racial.

 

Fonte: Sindicato dos Bancários de BH e Região com Contraf-CUT

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