Foto: Fenae

Em reunião da mesa de negociação permanente realizada nesta quarta-feira, 16, representantes dos empregados cobraram da CAIXA o cumprimento da cláusula do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) 2013/2014 referente ao pagamento de horas extras em agências com até 15 empregados. Entidades sindicais receberam denúncias de funcionários dessas unidades que estão sendo pressionados a não solicitarem o pagamento das horas trabalhadas a mais. A empregada da CAIXA e diretora do Sindicato, Eliana Brasil, participou da negociação como representante de Minas Gerais na Comissão Executiva dos Empregados (CEE/Caixa).

A reunião desta quarta marcou a retomada das negociações permanentes em 2014. A maioria dos pontos debatidos está relacionado às condições de trabalho.

Os representantes dos empregados denunciaram que o banco não está cumprindo os compromissos assumidos nas mesas anteriores para melhorar as condições de trabalho na retaguarda. A situação dos tesoureiros, segundo avaliação dos trabalhadores, piorou. Eles continuam enfrentando problemas como a sobrecarga de trabalho. A CAIXA prometeu apurar a denúncia.

Eliana Brasil ressaltou a importância de que bancárias e bancários procurem o Sindicato no caso de dúvidas ou denúncias. “Na mesa de negociações permanentes, debatemos temas de grande importância para os trabalhadores da CAIXA. Empregadas e empregados devem procurar o Sindicato para esclarecer quaisquer dúvidas ou denunciar pressões sofridas nas suas unidades”, afirmou.

Hora extra

O pagamento de todas as horas extras realizadas em agências da CAIXA com até 15 empregados foi uma das conquistas da Campanha Nacional 2013. A medida passou a vigorar em janeiro deste ano.

Os representantes da CAIXA alegaram que não têm conhecimento do problema. Segundo eles, nos meses de janeiro e fevereiro problemas no sistema dificultaram a marcação das horas, mas que a situação já foi normalizada. Ainda, segundo o banco, no início de cada mês, o empregado deve entrar no Sipon e marcar a opção requisitando o pagamento.

Os representantes dos empregados denunciaram que, na prática, a regra não está sendo devidamente cumprida. Um fator que contribui para isso é a dotação orçamentária que as unidades têm para pagar as horas extras, já que gestores que ultrapassam esse orçamento estão tendo que se justificar às superintendências regionais.

Os dirigentes sindicais questionaram também o texto da CE 081 que estabelece os percentuais de compensação das horas extras nas demais agências, que dá margem a várias interpretações.

Reestruturação

Os trabalhadores cobraram também da CAIXA transparência no processo de reestruturação, já que a falta de informações tem deixado empregados inseguros.

Um manifesto de empregados da GI Programas Sociais de Porto Alegre foi entregue aos representantes do banco. No documento, os trabalhadores relatam a preocupação com notícias de mudanças e que possam ser aproveitados na área de governo.

PSIC

Foi debatido ainda o andamento dos fóruns paritários sobre condições de trabalho e Processo de Seleção Interna por Competência (PSIC). A CEE/Caixa defendeu a prorrogação do prazo do grupo que debate melhorias nas condições de trabalho. O pedido foi acatado, devendo as discussões ser estendidas por, no máximo, mais duas reuniões.

A CEE/Caixa defendeu encerrar os trabalhos do fórum do PSIC por entender que, apesar de algumas propostas terem sido implementadas pela CAIXA, não houve os avanços necessários para atender às reivindicações dos empregados.

Os representantes dos empregados asseguraram que continuarão defendendo suas propostas relativas ao Processo de Seleção Interna por Competência nas negociações permanentes.

Conselho de Administração

Os dirigentes sindicais solicitaram ao banco que a suplente do conselheiro representante dos empregados, Maria Rita Serrano, participe das reuniões no Conselho de Administração (CA).

Foi lembrado ao banco que, em outros colegiados, como o Conselho Deliberativo da Funcef, os conselheiros suplentes participam das reuniões com direito a fala. No entendimento das entidades sindicais, o acompanhamento das reuniões pelos suplentes é necessário para que, em caso de ausência do titular, possa se posicionar sobre os temas em discussão no CA.

A CAIXA ficou de se posicionar sobre a reivindicação na próxima negociação permanente.

Promoção por mérito

A CAIXA apresentou dados que revelam avanços na promoção por mérito. Em 2013, 89,37% dos empregados elegíveis foram promovidos, enquanto que, no ano anterior (2012), esse percentual foi de 81,74%.

Os trabalhadores solicitaram que fossem apuradas denúncias de que empregados deixaram de receber os deltas por conta de faltas.

A promoção por mérito é uma importante conquista dos empregados do banco, obtida com as greves de 2007 e 2008, e que representa crescimento na carreira e aumento salarial.

Bancário temporário

Foi reivindicada à CAIXA a revogação da RH 037 que trata da contratação de bancários temporários. O banco alegou que, desde 2010, não é feito esse tipo de contratação, atendendo ao que foi negociado com o movimento sindical e ao termo de ajustamento de conduta assinado no Ministério Público do Trabalho.

Os representantes da CAIXA não souberam explicar porque a norma ainda não foi revogada.

Incorporação do REB

Os representantes da CAIXA informaram na negociação que houve avanço no processo de incorporação do REB. Uma comissão, formada por dirigentes e gestores da Funcef e da CAIXA, esteve reunida no dia 10 de abril com o superintendente nacional de Previdência Complementar (Previc), José Maria Rabelo.

Na reunião, ficou definida a criação de um grupo técnico e definida uma agenda de trabalho, a fim de buscar uma alternativa para viabilizar a incorporação. A CEE/Caixa defendeu que os empregados continuem mobilizados para assegurar o atendimento de uma reivindicação que perdura desde 2006, quando foi criado o Novo Plano.

 

Fonte: Sindicato dos Bancários de BH e Região com Contraf-CUT e Fenae

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