Durante a rodada de negociação realizada nesta quinta-feira, dia 24, em Brasília, com os representantes dos empregados, a CAIXA se comprometeu  a realizar uma força-tarefa para intensificar a contratação de pessoal a partir de junho. As entidades sindicais cobraram do banco a elevação do seu quadro de empregados para o patamar de 92 mil, conforme prevê o acordo coletivo de trabalho de 2011/2012.

A Comissão Executiva dos Empregados (CEE-Caixa), instância de assessoramento da Contraf-CUT na mesa de negociações, demonstrou a necessidade da força-tarefa para contratações ao apontar a grande defasagem do quadro de pessoal em relação ao que ficou acordado na última campanha nacional. No final de 2011, esse objetivo de 92 mil empregados implicava em 5 mil novas contratações, número que ainda está longe de ser atingido.

A CEE-Caixa destacou que a carência por mão de obra e a sobrecarga de trabalho no banco  cresceram ainda mais este ano por causa do grande aumento da demanda, em decorrência principalmente das políticas governamentais. A representação dos empregados lembrou, inclusive, que no fechamento do acordo coletivo a CAIXA  não só assumiu o compromisso de atingir 92 mil empregados como revelou também que já havia autorização dos órgãos governamentais para atingir o patamar de 99 mil até o final de 2013.

A rodada de negociação desta quinta-feira tratou ainda de Sistema de Ponto Eletrônico (Sipon), promoção por mérito, Reret, Comissão de Conciliação Voluntária (CCV) e trabalho aos sábados, domingos e feriados.

Sipon

Os sindicatos cobraram agilidade na solução dos problemas no funcionamento do login único e condenaram a utilização do sistema de ponto para registro de horas negativas. A interpretação da CEE-Caixa é de que o registro de hora negativa significa fazer com que o empregado fique em dívida com a empresa e se sujeite a fazer o pagamento conforme a conveniência do gestor.

A cláusula do Acordo Coletivo que trata de compensação de hora extra não prevê a possibilidade de hora negativa e não há qualquer outro dispositivo legal que admita o trabalhador contrair esse tipo de dívida com o empregador.

Os representantes da CAIXA ficaram de apresentar resposta sobre as horas negativas até a próxima rodada de negociação. Os bancários frisaram que o assunto vem sendo discutido há bastante tempo e exigem proposta conclusiva por parte da empresa.

Quanto ao login único, a CAIXA informou que a área de tecnologia está providenciando as adaptações necessárias e que, em breve, voltará a funcionar.

Promoção por mérito
Na discussão sobre as regras da avaliação para promoção por mérito no ano base 2012, a CAIXA criou impasse ao insistir na exigência de que o empregado complete 365 dias de empresa para ter direito a participar do processo. Os representantes dos empregados defenderam a regra que vigorou nos últimos anos, de 180 dias como prazo mínimo para que o empregado possa ser avaliado e promovido e alertaram o banco para o fato de que a tentativa de mudar a regra poderá inviabilizar todo o processo da promoção por mérito. O debate foi encerrado com a declaração da CAIXA de que fará nova apreciação do assunto.

RERET
A representação dos empregados apontou a manutenção das rotinas inadequadas e o excesso de trabalho. A CAIXA reconheceu a carência de pessoal e disse que já ocorreram contratações, mas não em quantidade suficiente para suprir sequer as 418 vagas com as quais o banco havia se comprometido.  A alegação é de que já não há mais banco de habilitados em vários estados. O compromisso é de completar as contratações até junho e de promover também a adequação das instalações para, em seguida, redimensionar as necessidades da área.

CCV
A CEE-Caixa cobrou transparência na metodologia dos cálculos na apuração dos valores das indenizações, frisando ainda que os valores calculados estão aquém do que deveriam ser.

Trabalho em final de semana
Os representantes  dos empregados manifestaram total reprovação à convocação para o trabalho no dia 12 de maio, medida que consideraram mera peça de marketing da empresa. Exigiram pagamento de todas as horas decorrentes de tal iniciativa e cobraram também respeito à jornada e ao pagamento de todas as horas extras praticadas nos feirões, independente das funções dos empregados que foram convocados para o trabalho.
A diretora do Sindicato, Eliana Brasil, presente na reunião, ressaltou que os novos representantes da CAIXA  na mesa de negociação  têm endurecido  em relação às reivindicações dos empregados. “Prova disso, é o aumento do número de dias trabalhados para que o empregado possa participar do sistema de promoção por mérito.  O prazo que antes era de 180 dias foi expandido para 365 dias. Outro exemplo desse endurecimento é o protelamento das tomadas de decisões em relação às reivindicações dos empregados que são sempre adiadas sob a alegação de que serão levadas a “instâncias superiores. O Sindicato exige negociações sérias e não aceitará em hipótese alguma essa enrolação da CAIXA”, afirma.

Fonte: Contraf-CUT com Fenae

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