Representantes dos funcionários retomaram, no dia 12 de março, o Comitê de Relações Trabalhistas (CRT) do Santander em São Paulo. Na mesa, foi cobrado o atendimento de reivindicações pendentes de reuniões anteriores e de novas demandas dos funcionários do banco.

A superintendente de Recursos Humanos do Santander, Fabiana Ribeiro, ouviu os trabalhadores, apresentou algumas respostas, agendou reuniões específicas e ficou de levar várias questões para análise no banco.

Wagner dos Santos, que é funcionário do Santander e diretor do Sindicato, ressaltou que a entidade permanece atenta para garantir o atendimento das reivindicações dos funcionários. “Nas negociações, a representação dos funcionários tem apresentado nossas reivindicações e deixado claro que não aceitamos demissões, abusos nas unidades e sobrecarga de trabalho. Continuamos em luta para exigir melhores condições de trabalho para funcionárias e funcionários do Santander”, afirmou.

Mais empregos e fim da rotatividade

No período de 2012 a 2014, o Santander fechou 4.683 postos de trabalho, uma redução de 8,7%, segundo o Dieese. No ano passado, o corte foi de 312 vagas e o quadro de funcionários caiu para 49.309.

Apesar do reajuste de 8,5% conquistado na Campanha Nacional 2014, as despesas de pessoal incluindo a PLR subiram apenas 2,01% entre 2013 e 2014. Houve também o fechamento de 61 agências e de 93 PABs em 2014, enquanto aumentaram os correspondentes bancários (mais 68 do Aimoré e mais 753 do Santander) e cresceu 13,8% o total de clientes do banco. Com isso, a média de clientes por funcionário que era de 595 em 2013 subiu para 631 em 2014.

Os representantes dos funcionários denunciaram que a redução das despesas é resultado do corte de empregos e da política de rotatividade, criticando a sobrecarga de trabalho e o alto índice de adoecimento entre os funcionários, o que também prejudica a qualidade do serviço prestado aos clientes.

O banco se limitou a dizer que fez 700 admissões em janeiro e fevereiro deste ano, das quais 93% foram para a rede de agências. Também informou que o quadro atual é formado por 60% de mulheres, mas que estas só ocupam 37% dos cargos de liderança. Ainda falou que 85% dos funcionários possuem curso superior completo ou incompleto, que 20% são negros e que a idade média é de 35 anos, sendo que os dados completos serão apresentados e discutidos em reunião sobre igualdade de oportunidades, prevista na cláusula 34ª do acordo aditivo do Santander à convenção coletiva.

Os dirigentes sindicais reivindicaram, novamente, acesso aos dados mensais do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED) do Ministério do Trabalho e Emprego.

Condições de trabalho

A melhoria das condições de trabalho nas agências, postos de atendimento e centros administrativos foi mais uma vez reivindicada pelos representantes das entidades sindicais. Eles defenderam o fim das metas individuais e da área operacional, a proibição de abertura e prospecção de conta universitária fora da jornada e do local de trabalho, o fim do desvio de funções nas agências, envolvendo caixas, coordenadores e gerentes de atendimento e de negócios, o fim dos caixas volantes e a proibição de cobrança de metas para estagiário e menor aprendiz.

Fabiana agendou uma reunião específica, a ser realizada no dia 23 de abril, seguida de outra no dia seguinte para uma apresentação do programa de incentivos.

Modelo Certo

O Santander fez uma apresentação do chamado Modelo Certo, que está sendo implantado em toda a rede de agências. Segundo o banco, é uma nova forma de gestão, voltado aos gerentes. “Simples e integrado, que busca maior dedicação ao cliente e foco nos resultados” são os pilares.

Os representantes dos funcionários afirmaram que, para dar certo, o modelo precisa incluir mais contratações de funcionários, acabar com as metas abusivas e o assédio moral, e melhorar as condições de trabalho.

Mudanças nos planos de saúde

Outra vez a representação sindical reivindicou a suspensão imediata das mudanças implementadas unilateralmente pelo banco nos planos de saúde (Bradesco e Unimed), que implicaram em aumento das mensalidades muito acima da inflação em 2012, 2013 e 2014.

Os funcionários também criticaram a cobrança por faixa etária, que vigora em quase todo o país e que trouxe enormes prejuízos aos trabalhadores da ativa, principalmente aos trabalhadores aposentados e aos demitidos sem justa causa que fizerem opção pelo direito previsto na Lei 9.656/98.

Foi solicitada uma negociação específica para encontrar formas alternativas que não inviabilizem os direitos dos trabalhadores. O banco aceitou uma reunião somente para tratar do assunto, em data a ser marcada.

Bolsas de estudo

Os dirigentes sindicais cobraram o balanço das inscrições de funcionários para a concessão do auxílio-educação para a primeira graduação, conforme garante o acordo aditivo. O banco informou que foram concedidas 1.894 bolsas e os contemplados têm prazo até o dia 20 de março para encaminhar os documentos exigidos. Do total, 55% são de renovação e 45% são novas bolsas. A rede de agências responde por 86% dos casos.

Já a abertura das inscrições pela primeira vez para cursos de pós-graduação está prevista para o final de maio e início de junho.

SantanderPrevi

Os dirigentes sindicais cobraram a retomada do grupo de trabalho do SantanderPrevi, previsto na cláusula 37ª do acordo aditivo, para discutir o processo eleitoral, que foi suspenso por força de liminares em 2011. Houve uma primeira reunião em dezembro de 2014 e nenhuma outra foi marcada.  O prazo de conclusão dos trabalhos está definido para abril de 2015.

Os representantes dos funcionários cobram um processo democrático ou a migração do SantanderPrevi para o Banesprev, a exemplo das caixinhas do antigo Meridional. Eles ressaltaram que a unificação dos vários planos se previdência complementar no Banesprev, exceto o Bandeprev, seria o melhor caminho de governança para os participantes e o banco.

O banco ficou de avaliar a demanda.

Redução de juros e isenção de tarifas

A representação sindical reivindicou novamente a redução das altas taxas de juros de empréstimos, consignado, cheque especial, cartão de crédito, bem como a isenção das tarifas bancárias para todos os funcionários ativos e aposentados do Santander.

O banco também ficou de avaliar a demanda.

Fim dos prepostos terceirizados nas homologações

O Santander comunicou que deixou de utilizar prepostos terceirizados na homologação das rescisões junto aos sindicatos, atendendo a reivindicação das entidades sindicais. O procedimento foi implantado em 2013, exceto na capital de São Paulo, o que motivou uma forte resistência do movimento sindical.

Esta foi uma importante vitória da luta da categoria contra as terceirizações, fortalecendo o combate ao PL 4330.

Prêmio Tempo de Casa

Os dirigentes sindicais reivindicaram, ainda, que o prêmio Tempo de Casa, no valor de dois salários aos funcionários que completam 25 anos de empresa, seja também concedido para quem fecha esse período dentro do aviso prévio. Além disso, foi proposto que o banco conceda o prêmio aos trabalhadores que se encontram afastados pelo INSS ou na condição de inaptos segundo o médico do banco.

O Santander ficou de avaliar a demanda.

 

Fonte: Sindicato dos Bancários de BH e Região com Contraf-CUT

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