Em negociação com representantes dos funcionários realizada na última quinta-feira, 19, em Curitiba, o HSBC anunciou que as medidas de ajustes em andamento não acarretarão nenhum processo de demissões em massa nem o fechamento de agências. Houve também debates sobre o acordo aditivo à convenção coletiva dos bancários e a PPR 2014. O Sindicato participou da reunião representado pelo funcionário do banco e diretor Geraldo Rodrigues.

Reestruturação

A reunião teve início com o questionamento dos dirigentes sindicais sobre qual é o projeto para a área de atendimento da rede de agências, diante de uma série de mudanças em curso no banco. Os representantes dos bancários temem uma reestruturação drástica na forma de atuação do banco no curto prazo, em razão de uma série de medidas já em curso, como a abertura de agências de negócios, a centralização das carteiras PJ em plataformas retirando-as das agências, o fechamento de agências e o aumento das demissões. Além da situação critica da falta de funcionários em toda rede de atendimento.

O banco afirmou que a estratégia é buscar realmente aprofundar no Brasil o perfil de atuação que o caracteriza em todo mundo, ligado à relação com clientes com perfil investidor e de renda mais elevada. No entanto, isso de forma alguma significa qualquer possibilidade de saída do varejo no Brasil. Ao contrário, o banco precisa dessa atuação para captação e sustentar o modelo de negócio. Desta forma, o HSBC alegou que não está nos planos o fechamento de agências, como medida de redução de custos.

Diante da cobrança dos dirigentes sindicais sobre o recente aumento das demissões, o banco alegou que as mesmas ficaram represadas no período da Campanha Nacional 2013 e que estão na mesma marca dos demais anos. O banco revelou que pretende fazer contratações no próximo período, projetando cerca de 80 admissões e alguns temporários para atender as demandas do tempo de férias em algumas regiões do país.

Questionado em relação aos gerentes PJ, o banco disse que o trabalho deles continuará da mesma forma e que somente não submeterá as suas rotinas ao gerente titular da agência e sim à plataforma a que estiver vinculado.

Indagado quanto à rentabilidade da carteira que ficava na unidade e agora não mais, mesmo mantendo os mesmos serviços, o banco ressaltou não saber afirmar quais percentuais ficam onde.

As novas agências de negócios previstas para serem inauguradas são sete, dentre elas Santos Dumont e Cinelândia, no Rio de Janeiro, Cuiabá (centro), Campinas (centro) e São José do Rio Preto (centro). Nessas agências não haverá caixa para atendimento ou movimentação financeira, mas apenas negócios.

Mesmo com esses esclarecimentos, os dirigentes sindicais fizeram questão de registrar a dramática situação vivenciada pelos funcionários, diante da enorme falta de pessoal, do aumento dos afastamentos e do alto nível de adoecimentos.

PPR 2014

Os representantes dos funcionários destacaram que existem problemas e dúvidas em relação ao PPR 2014, como a falta de recursos ‘carimbados’ para o programa e a indefinição sobre quanto receberá cada funcionário que atingir suas metas das áreas de vendas, de cobrança e de empresas.

O banco informou que realmente é um grande desafio no Brasil, inclusive porque se trata de uma cultura nova a ser implantada, mas que representa uma diretriz global do HSBC em todo mundo.

O representante da área de remuneração do banco confirmou a dificuldade de definir o valor final que caberá a cada um que cumprir as suas metas, que passarão a ser exigidas por família de produtos e não mais pela cobrança de venda de um único produto ou campanha, como ocorre hoje, por causa do componente discricionário da avaliação comportamental no cumprimento da meta.

Acordo aditivo

Quanto ao encaminhamento do acordo aditivo com a inclusão dos direitos conquistados dos funcionários do HSBC via negociação coletiva, o banco informou que ele se encontra em análise no Departamento Jurídico. Isso porque a Contraf-CUT, após debate na Comissão de Organização dos Empregados (COE) do HSBC, enviou alguns itens que precisam ser incluídos, como o plano de previdência complementar, uso da treinet somente dentro da jornada de trabalho para os cursos de qualificação e a criação da Comissão Paritária de Saúde, sobre a qual já houve aceitação mas ainda não foi implantada.

Os dirigentes sindicais sugeriram detalhamento maior nas cláusulas referentes à concessão de plano de saúde e odontológico, para que o acordo retrate fidedignamente as condições atuais praticadas.

Cobrados pela renovação do acordo coletivo do ponto eletrônico, os dirigentes sindicais disseram estar aguardando o desfecho das negociações do acordo aditivo para ser dado o encaminhamento conjunto para as assembleias dos sindicatos acerca dos dois pontos. O banco ficou de enviar uma resposta em breve.

Seminário

Em março de 2014, a Contraf-CUT realizará um seminário para discutir as perspectivas futuras do HSBC no Brasil.

 

Fonte: Sindicato dos Bancários de BH e Região com Contraf-CUT

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