Foto: SEEB-BH

 

Representantes dos funcionários e funcionárias do Itaú se reuniram com o banco, nesta quinta-feira, 17 de outubro, em São Paulo, para debater emprego, o novo modelo de agências e outras demandas dos trabalhadores. O Sindicato participou das discussões representado pelo funcionário do Itaú e diretor Ramon Peres.

Emprego

Na mesa, o banco apresentou números referentes a admissões e desligamentos em 2018 e 2019. Nesse ano, de janeiro a setembro, foram desligados 9.397 trabalhadores do Itaú, em todo o Brasil, e admitidos 5.924 bancários. Houve, portanto, saldo negativo no número de funcionários, com o fechamento de 3.473 postos de trabalho.

As informações desmembradas, com o perfil de trabalhadores demitidos e admitidos, ainda não foram fechadas pelo Itaú e, por isso, o banco se comprometeu a enviá-las por e-mail, posteriormente, para a Comissão de Organização dos Empregados (COE).

Previdência privada

O banco também repassou dados sobre previdência privada. De acordo com o Itaú, 72% dos funcionários contam com plano de previdência e 28% não têm. Os que não contam com o plano têm, em média, quatro anos de banco e idade média de 29 anos.

A COE destacou a importância de reestudar os valores que são pagos em contrapartida pelo banco no Plano PGBL (616). Hoje, esses valores vão de 0,5% a no máximo 2% do salário.

O debate sobre o tema será realizado, com mais profundidade, na mesa de negociação com a Fundação de Previdência Itaú.

Fechamento de unidades

Ao serem cobrados sobre possíveis fechamentos de agências, os representantes do setor de Relações Sindicais do Itaú alegaram que não têm muito conhecimento, pois o banco trata a questão de maneira estratégica. O Itaú afirmou que não há interesse em acabar com as agências, mas que haverá adequação de mercado devido ao avanço da tecnologia e à concorrência.

Na mesa, o banco apresentou alguns números sobre o encerramento de unidades. A previsão é de fechamento de mais 104 agências, sendo 86 normais e 18 do Personnalité.

Em relação às unidades Personnalité, houve o encerramento de oito agências em 9 de setembro, sete no dia 7 de outubro e serão encerradas três no dia 4 de novembro, nenhuma delas em Minas.

O banco se comprometeu com o esforço para realocação de funcionários e afirmou que enviará para a COE o nome das unidades com fechamento previsto.

Consultor de Longevidade

Esteve também em pauta, na reunião, o projeto piloto que vem sendo implantado em algumas unidades, com a contratação do chamado Consultor de Longevidade. O banco informou que estes trabalhadores, que são terceirizados e têm mais de 50 anos, atuarão com foco em familiarizar os clientes mais velhos com os meios eletrônicos. A jornada é de 20 horas semanais. Segundo o Itaú, o projeto piloto terá duração de 5 meses e será focado na região de São Paulo.

Os representantes dos trabalhadores expressaram sua preocupação com o projeto em relação ao fato de que a pessoa contratada terá acesso às informações bancárias dos clientes, o que pode ser perigoso.

Novo modelo de agências

O Itaú está adotando um novo modelo de agência bancária, que tem salas de videoconferência, wi-fi, área interna com layout mais aberto, sem caixas humanos e com máquinas que realizam depósito em dinheiro e pagamento com troco – inclusive moedas.

“Temos preocupação muito grande em relação à segurança das informações bancárias dos clientes, que serão auxiliados por um prestador de serviço, e ainda com o descumprimento da lei de segurança bancária. Ela prevê a proibição do uso de celular nas agências, mas o projeto tem o objetivo de ensinar os clientes a usarem o App do banco dentro das agências”, afirmou o diretor do Sindicato, Ramon Peres.

O modelo já existe em São Paulo e deve ser inaugurado também no Rio de Janeiro e em estados do Nordeste. Segundo banco, as unidades que adotarão o novo modelo e já contam com portas giratórias irão manter o equipamento. Já nas que não têm as portas, elas não serão instaladas.

Na mesa, a COE ressaltou que o novo modelo está favorecendo os meios eletrônicos, servindo como uma ponte para a digitalização total do atendimento bancário.

Os trabalhadores também demonstraram preocupação com as obras que estão sendo realizadas para a implantação do modelo. É o caso da agência 3176, em Belo Horizonte, que foi fechada pelo Sindicato por não apresentar condições de trabalho e atendimento.

“Nós cobramos do banco que tenho respeito pela saúde dos bancários que trabalham nas agências que vão ser reformadas. Não aceitaremos que eles sejam maltratados e trabalhem em condições precárias”, destacou Ramon Peres.

Os representantes dos funcionários também questionaram o Itaú sobre como será o emprego dos trabalhadores neste novo modelo e sobre quantos bancários estarão dentro destas unidades. Os representantes do banco afirmaram que ainda não têm essa informação e que ela será repassada posteriormente para a COE.

A próxima mesa de negociação com o banco ficou agendada para os dias 10 e 11 de dezembro. Foi definido com o Itaú que será feita a apresentação dos programas Agir, SQV e Vai Que Dá pelas diretorias responsáveis para que se possa abrir uma agenda de negociação.

“Esses programas têm que dialogar com o que os funcionários querem. Não podem sair simplesmente da cabeça de alguma diretoria sem que as pessoas atingidas possam dar a sua opinião e reivindicar melhorias. O sentimento que temos é que esses programas têm sido fonte de cobranças de metas abusivas, assédio moral e punição. Abrir as negociações com os representantes dos trabalhadores é fundamental e muito importante para os bancários”, explicou Ramon Peres, diretor do Sindicato.

 

Fonte: Sindicato dos Bancários de BH e Região com Contraf-CUT

 

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