Foto: Contraf-CUT

 

Em reunião com a direção do Itaú nesta quinta-feira 13, os representantes dos funcionários, assessorada pela Comissão de Organização dos Empregados (COE) do Itaú, criticaram duramente a forma unilateral e sem transparência como o banco está implantando o projeto de ampliação do horário de atendimento de agências. Os dirigentes sindicais apontaram os inúmeros prejuízos que o programa está trazendo aos bancários em todo país. Advertiram também que, somados com os outros problemas, principalmente as demissões, o Itaú será o banco onde a greve nacional da categoria terá o maior êxito, em razão do descontentamento dos trabalhadores.
 
Representando os bancários participaram o presidente da Contraf-CUT Carlos Cordeiro e as seguintes federações representadas na COE Itaú: Fetec São Paulo, Feeb RJ/ES, Feeb SP/MS, Fetrafi NE, Fetraf MG, Fetrafi RS, Fetec PR, Feeb BA/SE e Fetec Centro-Norte. Pelo banco, compareceram Marcelo Orticelli, diretor de Cultura, Gente e Relações de Trabalho (representante do Itaú na mesa de negociação da Fenaban); Marco Aurélio e Romualdo Garbos também do RH Relações do Trabalho e Sindical e a equipe responsável pela implantação do projeto de expansão do horário de atendimento de agências em shopping centers e corredores de grandes cidades, Rogério Vasconcelos Costa (super.com.ags-SP), Bruno Paiva e Robson Pagani (superintendentes operacionais).
 
Os representantes do banco informaram que 167 agências (66 em shoppings e 101 em corredores) já estenderam o horário. Nos shoppings, o horário passou das 12h às 20h. Nos corredores, as agências do Itaú têm agora dois horários diferentes: umas das 9h às 16h, outras das 12h às 19h. A medida está em vigor desde o dia 27 de agosto e o objetivo do banco é chegar a 1.500 agências com horários ampliados em todo o país.
 
‘Projeto é imposto no pior momento possível’
 
Os representantes dos funcionários manifestaram estranheza em relação ao projeto e afirmaram não ser contra a ampliação do horário de atendimento das agências já que os sindicatos possuem um projeto antigo para estender o horário das 9h às 17h, com dois turnos de trabalho e mais contratações de bancários, para atender melhor a população.
 Para os representantes dos bancários, o Itaú impõe o projeto no pior momento possível já que os bancários estão em campanha salarial e os bancos se recusam a atender as reivindicações da categoria. Além disso, o Itaú já demitiu quase 10 mil bancários, apresenta um lucro astronômico e maquia o balanço com a PDD exagerada para diminuir a PLR. Como se não bastasse, aumenta para mais de R$ 8 milhões a remuneração de seus altos executivos, os mesmos que definem as demissões, fixam as metas abusivas e incentivam o assédio moral.

Problemas em todo o país
 
Os representantes das federações de bancários na COE expuseram aos representantes do Itaú todos os problemas que a implementação do projeto está trazendo para os trabalhadores, contradizendo a visão rósea que o banco tenta vender.
 
Os principais problemas são: os bancários estão sendo forçados a aderir ao projeto, com medo de demissões e por autoritarismo dos gestores, ao contrário do que diz o banco de que a adesão é voluntária; é frequente a extrapolação da jornada de trabalho, chegando a dez horas por dia, sem pagamento de horas extras; com as jornadas maiores, muitos estão abandonando faculdades, outros deixando os filhos em tempo integral em creches; alguns não conseguem mais ver os filhos; os bancários estão pagando para trabalhar, seja porque subiu o valor da creche ou para pagar estacionamento nos shoppings; pioraram as condições de segurança, principalmente nos horários de saída nos corredores bancários; o banco está tirando caixas de agências para colocar nas unidades envolvidas no projeto, agravando os problemas da extrapolação do horário e da falta de funcionários.
 
Moções de Repúdio

 

Durante a reunião, o representante da Fetraf-MG, funcionário do Itaú e diretor do Sindicato, Kennedy Santos, protocolou com o diretor do banco, Marcelo Orticelli, as moções aprovadas pelos bancários da base de BH e Região durante assembleia do dia 4 de setembro (veja texto abaixo). O dirigente criticou a politica do banco adotada nas regiões 70 e 71 pelo superintendente e suas duas GRAs, denunciou as reuniões discriminatórias realizadas pelo banco com gerentes chamados de ?10 piores da região?, que são ameaçados com pressões, constrangimentos e assédios coletivos para reverter os resultados. Tratamento este, totalmente diferente aos “10 melhores” das mesmas regiões. 
 

 

“Moção de Repúdio dos bancários do Itaú Unibanco à diretoria do banco
 

 

Os bancários e bancárias do Itaú Unibanco, reunidos em assembleia realizada no dia 4 de setembro de 2012, na sede do Sindicato dos Bancários de BH e Região decidiram manifestar repúdio às políticas implementadas pela direção do banco em relação aos seus funcionários.
 
 
 
Diferentemente do que é divulgado nos comerciais de televisão, o Itaú Unibanco não foi ?Feito pra Você?. Foi feito sim, para humilhar e assediar seus empregados com a única finalidade de alcançar os resultados estratosféricos, que caracterizam os seus lucros.
 
 
 
Em 2011, O Itaú Unibanco bateu todos os recordes nacionais ao lucrar R$14,6 bilhões e somente no primeiro semestre de 2012 já alcançou a cifra de R$ 7,12 bilhões.
 
 
 
Enquanto isto, o banco fechou nos últimos 12 meses, mais de 9 mil postos de trabalho em todo o Brasil. Para se ter uma ideia, somente no trimestre, junho, julho e agosto, o Sindicato realizou 94 homologações de rescisões contratuais, acumulando 232 desligamentos até agosto de 2012. Em todo o ano de 2011 foram 236 desligamentos na base sindical de BH e região, e não temos nenhum registro de contratações para reposição dos postos de trabalhos eliminados.
 
 
 
As denúncias dos funcionários do Itaú, envolvendo maus tratos, pressões, humilhações e assédios são constantes. Vários empregados estão doentes e pressionados pelo risco de demissão a qualquer tempo pela nova política do Itaú Unibanco de limitar a idade para alcançarem promoções de carreira, discriminando os mais velhos.
 
 
 
Para contrapor as diversas políticas que contrastam com a imagem do Itaú divulgada pela direção do banco é que seus empregados apresentaram e deliberaram as moções a seguir:
 
 
 
* Moção de repúdio aos elevados números de demissões que vêm acontecendo na base do Sindicato dos Bancários de BH e Região;
 
 
 
* Moção de repúdio à falta de política do banco para tratamento dos funcionários reabilitados e para Pessoas com Deficiência (PCD);
 
 
 
* Moção de repúdio contra a intransigência do banco que alterou de forma unilateral e sem concordância do sindicato, o horário de atendimento bancário nas agências Shopping Del Rey (8562), Betim Shopping (3195), BH Afonso Pena (8261) e BH Praça Tiradentes (7475);
 
 
 
* Moção de repúdio contra a perseguição aos funcionários mais “antigos” do banco, principalmente os ex-Bemgeários, que são constantemente ameaçados de demissão;
 
 
 
* Moção de repúdio contra o convênio feito entre o banco Itaú e a empresa concessionária COPASA, que impede que as boletas sejam recebidas pelos “caixa físicos”, estabelecendo que o documento seja aceito somente pelos sistemas eletrônicos, como os auto-atendimentos.
 
 
 
Sindicato dos Bancários de Belo Horizonte e Região”

 

Para o representante da Fetraf MG (COE), diretor do Sindicato e funcionário do Itaú, Kennedy Santos, tanto a abertura das agências com horários diferenciados quanto as políticas assediadoras do banco nas regiões 70 e 71 caracterizam claramente a falta de respeito com os funcionários. “É um absurdo que o banco brinque desta forma com a vida de seus trabalhadores levando-os aos limites da exaustão e à insegurança dos novos horários de atendimento. Temos recebido denúncias de funcionários que reclamam que não se graduaram e pós-graduaram para serem assediados por gestores que não sabem lidar com seus empregados. Os funcionários também criticam as reuniões que discriminam e desqualificam os funcionários que sofrem pressões, assédio e constrangimentos na frente um dos outros. O Sindicato não vai aceitar essa postura do superintendente e das duas GRAs destas regiões e exigirá os ajustes de condutas pelo banco”, ressaltou.
 
 
 

Fonte: Contraf-CUT com SEEBBH e Região

 

 

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