Quase seis meses depois, a Fenaban finalmente apresentou aos representantes dos funcionários o resultado do II Censo da Diversidade, realizado entre 17 de março e 9 de maio, durante a reunião da mesa temática de Igualdade de Oportunidades realizada na segunda-feira, 3, em São Paulo. Os números foram também disponibilizados no site da Febraban sem nenhuma citação à participação das entidades sindicais no processo.

A realização do II Censo foi uma conquista da Campanha Nacional dos Bancários 2012 após mobilização da categoria e cobranças nas negociações. As informações permitem ao movimento sindical saber mais sobre as desigualdades existentes nos bancos e cobrar ações concretas para que o quadro seja modificado, com igualdade de oportunidades e tratamento.

Clique aqui para acessar os dados do II Censo da Diversidade

Dados incompletos

Segundo análise preliminar da Comissão de Gênero, Raça e Orientação Sexual (CGROS) da Contraf-CUT, com a assessoria do Dieese, apesar de tanta espera, os dados exibidos estão incompletos. A Fenaban não separou os indicadores por bancos públicos e privados, impedindo a identificação das desigualdades, pois há diferenças no setor.

Desta forma, não é possível observar a verdadeira situação da população negra ou das mulheres em cada segmento do sistema financeiro, por exemplo.

População LGBT

O II Censo foi respondido por 187.411 bancários, de 18 instituições financeiras, o que representa 41% da categoria. Uma novidade positiva foi a inclusão, após pressão do movimento sindical diante da resistência dos bancos, de perguntas de preenchimento opcional voltadas para a população LGBT, buscando verificar a orientação sexual e a identidade de gênero.

De acordo com os dados apresentados, 1,9% dos entrevistados se declararam homossexuais e 0,6%, bissexuais. O II Censo mostra que 85% dos bancários são heterossexuais. Apenas 12,4% não responderam, o que significa baixa rejeição ao tema.

Em relação ao estado conjugal, 61,6% disseram que estão casados ou em união estável com uma pessoa do sexo diferente e 1,1% dos bancários disseram que estão casados ou em união estável com uma pessoa do mesmo sexo.

População Negra

Conforme os dados do II Censo, houve avanço no número de negros no setor bancário. Eram 19% de negros na primeira pesquisa e, agora, os funcionários que se auto definiram foram 24,7% dos entrevistados.

Os funcionários negros com curso superior e acima subiram de 59% para 74,5% entre os dois levantamentos. A grande falha, no entanto, é que não há um indicador voltado para a situação das mulheres negras nas instituições bancárias.

Mulheres ainda ganham menos

As mulheres apresentam melhor qualificação educacional em comparação aos homens nos bancos. No I Censo, 71,2% das bancárias tinham curso superior completo e acima. No levantamento de 2014, as bancárias com essa formação subiram para 82,5%. Para os homens, esse aumento foi de 64,4% para 76,9%.

Os dados apontam, porém, que as mulheres continuam ganhando menos que os homens. Nos seis anos que separam os dois censos, a diferença entre o rendimento médio das mulheres e dos homens caiu somente 1,5 ponto percentual. O rendimento médio mensal delas em relação ao deles era de 76,4% em 2008 e agora é de 77,9%.

Com base nestes dados, se o setor financeiro continuar no mesmo ritmo, serão necessários 88 anos para que se alcance a igualdade salarial entre homens e mulheres nos bancos, segundo projeção do Dieese. Além disso, há também baixa presença de mulheres nas direções dos bancos.

Pessoas com deficiência

Apesar de a Fenaban divulgar que ampliou as contratações de pessoas com deficiência, passando de 1,8% para 3,6% nos últimos seis anos, o número de bancários com deficiência motora caiu de 61,4% em 2008 para 60,7% em 2014.

No entanto, os dados do II Censo mostram que houve crescimento na admissão de pessoas com deficiência auditiva, a qual subiu de 12,2% para 22,8% e com deficiência visual de 3,9% para 11,8%.

Porém, a maioria dos bancos ainda não cumpre a lei da cota de 5% de pessoas com deficiência.

Faixa etária e escolaridade

Entre 2008 e 2014, o número de funcionários e funcionárias do setor bancário com mais de 25 anos de trabalho passou de 10,4% para 14,5%. Na faixa de 45 a 54 anos, o percentual passou de 19,6% para 23,3% e na faixa de 55 anos ou mais, a oscilação foi de 1,3% para 6,9%.

Os bancários com curso superior completo e acima (mestrado, doutorado, pós-graduação), que representavam 67,7% em 2008, passaram a 79,6% em 2014. Se forem somados os que têm curso superior incompleto, incluindo os que ainda estão estudando em faculdades, a participação passa para 95,8%.

 

Fonte: Sindicato dos Bancários de BH e Região com Contraf-CUT

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