Nesta terça-feira, 3 de março, foi realizada reunião ampliada da diretoria regional do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) em Minas Gerais. Em pauta, estavam as perspectivas para as negociações salariais de 2020, implementação do Observatório do Trabalho de Minas Gerais e a conjuntura política e econômica. O Sindicato foi representado pelo diretor Marco Aurélio Alves, que também integra a direção regional do Dieese.

O Dieese analisou negociações coletivas de janeiro de 2020, revelando uma mudança significativa no comportamento dos reajustes salariais em relação às datas bases de janeiro 2018 e 2019. Apenas 20,9% dos reajustes de janeiro de 2020 resultaram em ganhos reais aos salários e 55,4% não conseguiram repor a inflação. O desempenho é pior em relação ao observado nos dois anos anteriores.

Um dos fatores que contribuiu para o resultado é o aumento da inflação no final de 2019. Para as datas-bases de janeiro de 2020, o reajuste necessário para a recomposição dos salários foi de 4,48%. Para o mesmo período em 2018 e 2019, equivalia a 2,07% e 3,43%, respectivamente de acordo com o INPC e IBGE.

Segundo o Dieese, até o momento, foram captados 148 reajustes de janeiro de 2020, diante de 2.672 de janeiro de 2018 e 2.235 de janeiro de 2019 (fonte: Cadernos de Negociação, N.27. Dieese. Fevereiro de 2020).

Para Marco Aurélio Alves, diretor do Sindicato e diretor regional do Dieese, o diagnóstico das negociações mostra a importância da organização dos trabalhadores frente a um cenário muito conturbado em 2020. “Na atual conjuntura, diante do agravamento das condições de vida dos trabalhadores e o ataque às entidades representativas, fortalecer os sindicatos via ampliação da base de filiados é fundamental para mantermos os benefícios duramente conquistados ao longo dos anos. Principalmente no caso da nossa categoria bancária, que conta com uma Convenção Coletiva Nacional, com muito mais direitos e avanços se comparados à CLT”, afirmou.

Observatório do Trabalho em Minas Gerais

Na reunião, foi informado que a deputada estadual Beatriz Cerqueira (PT/MG) conseguiu direcionar recursos na ordem de R$150 mil reais, oriundos de emenda impositiva do orçamento do Estado, para a construção do Observatório do Trabalho de Minas Gerais.

A ideia é que o observatório mineiro, a exemplo da versão nacional (Observatório Nacional do Mercado de Trabalho – ONMT), alimentado com dados do Dieese, IBGE e Ministério da Economia, seja uma ferramenta de acompanhamento do mercado de trabalho e das políticas de trabalho, emprego e renda, gerando subsídios técnicos ao planejamento das ações do nosso Estado.

Fazem parte da concepção do Observatório do Trabalho de Minas Gerais: Dieese, Fundação João Pinheiro, Fundacentro, OIT e Secretaria Estadual do Desenvolvimento Social do Estado de Minas Gerais (Sedese).

A próxima reunião da direção estadual do Dieese ficou agendada para o dia 7 de maio 2020.

 

Fonte: Sindicato dos Bancários de BH e Região com Dieese

 

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