O Santander obteve Lucro Líquido Gerencial de R$ 9,891 bilhões, nos primeiros nove meses de 2020, queda de 8,6% em relação ao mesmo período de 2019, e alta de 82,7% em relação ao trimestre imediatamente anterior. A análise do balanço foi feita pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).

O movimento sindical já havia alertado, no último trimestre, que o banco utiliza de uma manobra contábil para reduzir seus lucros. Excluindo-se a PDD (Provisão de Devedores Duvidosos), o lucro seria de R$ 11,651 bilhões, o que corresponderia a uma alta de 7,6% no ano e de 0,2% em relação ao trimestre anterior.

A utilização da PDD é permitida pelo Banco Central, porém a inadimplência está em queda. Ou seja, não se justifica uma provisão tão alta, tampouco seu crescimento.

Segundo os dados divulgados pelo banco, o Índice de Inadimplência superior a 90 dias ficou em 2,1%, queda de 0,9 pontos percentuais em doze meses. As provisões para créditos de liquidação duvidosa (PDD), por sua vez, subiram 39,2%, somando R$ 13,5 bilhões.

O lucro obtido no Brasil representou 30% do lucro global, que foi de € 3,658 bilhões. O resultado global sofreu uma queda de 33% em relação ao 3º trimestre de 2019, impactado pelas provisões para perdas em função da pandemia da Covid-19 no mundo e a deterioração do cenário econômico decorrente desta.

#QuemLucraNãoDemite

A receita com prestação de serviços mais a renda das tarifas bancárias chegou a R$ 13,3 bilhões e as despesas com funcionários mais PLR ficaram em R$ 6,8 bilhões no período. Assim, apenas com essas receitas secundárias, muito pequenas frente ao que o banco ganha com outras transações financeiras, o Santander consegue cobrir todas as despesas com seu pessoal e ainda sobram 94,9% (quase duas folhas de pagamento).

Mesmo assim, o banco continua demitindo e reduzindo seu quadro de pessoal, em plena pandemia. A holding encerrou o 3º trimestre com 45.147 empregados, com fechamento de 4.335 postos de trabalho em doze meses, a despeito do compromisso assumido de “Não Demissão” durante a pandemia. Da mesma forma, foram fechadas 149 agências em doze meses, sendo 91 entre o início de abril e o final de setembro de 2020.

Entre o início de abril e o fim de setembro, os meses mais agudos da pandemia de Covid-19, o Santander demitiu 2.045 funcionários no Brasil.

Veja abaixo a tabela resumo do balanço, ou a íntegra da análise, ambas elaboradas pelo Dieese.

 

 

Fonte: Sindicato dos Bancários de BH e Região com Contraf-CUT

 

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