O Santander Brasil apurou lucro líquido gerencial de R$ 2,864 bilhões no primeiro semestre de 2014, o que significa uma queda de 2,2% em relação ao mesmo período do ano passado e uma leve evolução de 0,6% no segundo trimestre. O resultado obtido representa 19% do lucro global do banco espanhol, que foi de 2,756 bilhões de euros.

No entanto, o banco eliminou 861 postos de trabalho no primeiro semestre, andando na contramão da economia brasileira, que nos primeiros seis meses do ano gerou 588,6 mil novos empregos com carteira assinada.

O corte foi ainda maior se forem comparados os últimos 12 meses. O banco fechou 2.942 postos de trabalho. Com isso, o número de empregados da holding em junho de 2014 foi 48.760 ante 51.702 em junho de 2013 (queda de 5,7%), conforme análise feita pela Subseção do Dieese na Contraf-CUT.

O banco fechou 156 agências e 110 PABs nos últimos 12 meses, enquanto foram criados 254 correspondentes bancários, precarizando o atendimento.

Para o funcionário do Santander e diretor do Sindicato, Davidson Siqueira, apesar do lucro exorbitante o banco desrespeita funcionárias e funcionários, que são os verdadeiros responsáveis pelos seus grandes resultados. “Não podemos aceitar as demissões diante dos lucros bilionários que o Santander vem obtendo. Os funcionários sofrem com a sobrecarga de trabalho, com as pressões e o assédio moral. Além disso, o atendimento à população é prejudicado com a falta de funcionários nas unidades de trabalho. Exigimos que o Santander valorize os seus  trabalhadores e que respeite clientes e usuários que sofrem com o mal atendimento em suas agências”, afirmou.

Menos bancários e mais clientes

Apesar da redução do número de agências e de PABs, a carteira de clientes cresceu significativamente (1,9 milhão a mais de clientes em um ano, sendo 296 mil apenas na primeira metade de 2014). A sobrecarga de trabalho juntamente com o assédio sofrido nas unidades de trabalho pioram a saúde de bancárias e bancários e o atendimento prestado à população.

Todos esses números explicam porque o Santander permanece na liderança do ranking mensal de reclamações de clientes no Banco Central. Em 2013, o banco ficou por oito meses em primeiro lugar. Já neste primeiro semestre de 2014, foi campeão em cinco dos seis meses.

O retorno sobre o patrimônio líquido médio anualizado (ROE) ficou em 11,3%, com queda de 0,1 ponto percentual em 12 meses.

A carteira de crédito ampliada do banco cresceu 4,9% em 12 meses, atingindo um montante de R$ 279,8 bilhões. As operações com pessoas físicas cresceram 5,0% em relação a março de 2013, chegando a R$ 75,9 bilhões (27,1% do total do crédito).

Já as operações com pessoas jurídicas alcançaram R$ 113,6 bilhões, com elevação de 4,4% em comparação ao 1º semestre de 2013 (40,6% do total). Do total da carteira de crédito, R$ 36,9 bilhões (ou 13,2% da carteira total) são gerados pelos correspondentes bancários.

A carteira de “financiamento ao consumo” apresentou queda de 0,5% em 12 meses. Desse total, R$ 30,2 bilhões referem-se a financiamentos de veículos para pessoa física.

O índice de inadimplência superior a 90 dias apresentou queda de 1,1 ponto percentual, ficando em 4,1% no 1º semestre do ano (-0,3 ponto percentual no trimestre). Com isso, foram reduzidas despesas com provisões para créditos de liquidação duvidosa (PDD), que totalizaram R$ 6,0 bilhões (queda de 17,9%).

A receita com prestação de serviços mais a renda das tarifas bancárias cresceram 2,0% em 12 meses, totalizando R$ 5,3 bilhões. Já as despesas de pessoal subiram apenas 1,7%, atingindo R$ 3,5 bilhões. A cobertura dessas despesas pelas receitas secundárias do banco foi de 149,9%, em março de 2014.

 

Fonte: Sindicato dos Bancários de BH e Região com Contraf-CUT e Dieese

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