Em reunião por videoconferência entre a Comissão de Organização dos Empregados (COE) e o Santander, ocorrida na quarta-feira, 1º de julho, o banco não aceitou qualquer tipo de negociação para cessar as demissões e a política abusiva de cobrança de metas. Pior do que isso, tratou as demissões, neste momento de pandemia, como ajustes naturais para que o banco se torne competitivo.

É importante destacar que, apenas no primeiro trimestre de 2020, o Santander lucrou R$ 3,85 bilhões no Brasil. Ao demitir, o banco age com irresponsabilidade em um cenário de mais de mil mortes por Covid-19 por dia e em que o desemprego atinge quase 13% dos brasileiros.

Sem negociação

O banco voltou a rechaçar a informação veiculada pelo jornal Folha de S. Paulo de que planeja demitir 20% de seu quadro de pessoal, mas continua demitindo funcionários e não apresentou nenhuma informação sobre quantas demissões já foram feitas e tampouco quantas serão.

Para a coordenadora da COE do Santander, Maria Rosani, o banco quebrou o compromisso assumido com o Comando Nacional dos Bancários de que não demitiria funcionários durante a pandemia. Ela lembra que o compromisso também está registrado no balanço trimestral do banco. “O banco mente inclusive para seus acionistas e para a sociedade, pois em seu balanço trimestral está escrito que não demitiria durante a pandemia. Ou seja, no documento oficial que é divulgado para o mundo e para os acionistas, o Santander Brasil passa a imagem de empresa responsável socialmente, coisa que na realidade não é”, afirmou.

Em seu relatório de Demonstrações Financeiras do 1º trimestre de 2020, o Santander afirmou que “devido ao contexto atual do Covid-19, o Santander firmou o compromisso de não demitir funcionários durante a crise”.

Os trabalhadores questionaram o fato de o Santander não levar qualquer informação sobre as demissões para uma reunião que tinha exatamente este tema como pauta. Para as entidades, a reunião foi apenas “pró forma”, sem qualquer intenção do banco em realmente negociar.

Ao mesmo tempo em que trava as negociações na mesa conjunta com a Fenaban, afirmando que o assunto é específico de cada banco, o Santander se recusa a negociar na mesa individual.

Metas abusivas

Outro ponto de pauta menosprezado pelo banco foi a cobrança abusiva de metas, que já gerou condenação judicial ao Santander. O banco lançou uma campanha chamada “Motor de Vendas”, que define o cumprimento de metas crescentes pelos funcionários. Muitos gestores orientam os trabalhadores a postarem fotografias com cartazes informando quantos produtos venderam no dia e na semana, com metas de 10 produtos vendidos por dia e 55 na semana.

O banco alega que a campanha não é orientação institucional, mas uma prática realizada pelos próprios gestores. As entidades, porém, destacam que se a campanha é feita por todos os gestores, em todas as redes comerciais, ela passou a ser uma prática da instituição.

Home office e o dito pelo não dito

Em entrevista ao vivo, divulgada no canal do Santander no Youtube, o presidente do banco no Brasil, Sergio Rial, afirmou que os funcionários que trabalham em home office devem “voluntariamente” abrir mão de direitos e parte da remuneração. Segundo Rial, os funcionários que trabalham em home office têm gastos menores e deveriam dividir parte destas economias com o banco.

Ao ser questionada na reunião sobre tal afirmação, a representação do banco disse que não existe nenhum projeto do banco sobre o home office e que a afirmação de Rial foi apenas uma explicação genérica, que não se referia especificamente ao banco.

Os dirigentes lembraram que, além da declaração de Rial, funcionários receberam um questionário para apurar informações e impressões pessoais sobre o home office.

Mais uma vez a representação do banco desconversou e tirou a responsabilidade da instituição sobre a pesquisa, dizendo tratar-se de iniciativa individual de um gestor da área de TI.

“E, assim, fica o dito pelo não dito. Um vídeo com a declaração do CEO do banco não merece consideração. Uma campanha de cobrança abusiva de metas, que descumpre nossa Convenção Coletiva de Trabalho sobre a proibição de ranking pessoal de funcionários e sobre o estabelecimento de metas abusivas, também não deve ser levada em conta. E, por fim, uma pesquisa sobre home office deve ser desconsiderada. O que mesmo que o Santander diz que podemos acreditar?”, ironizou Mario Raia, que representa a Contraf-CUT nas negociações.

Nova reunião

Um novo encontro entre a representação dos trabalhadores e o banco havia sido agendado para esta sexta-feira, 3 de julho. O Santander, porém, entrou em contato e cancelou a reunião.

As entidades cobram uma nova data para a continuidade das negociações. O Santander deve apresentar detalhes sobre o programa Motor de Vendas, sobre a mudança de função do GA e do GR e também uma proposta de banco de horas negativas.

 

Fonte: Sindicato dos Bancários de BH e Região com Contraf-CUT

 

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